Perdemos uma brava lutadora mas nunca a guerra.

Com tristeza faleceu a Dra Maria Augusta Tibiriçá uma brava lutadora e sempre combativa militante democrata,humanista e nacionalista aos 98 anos de idade.
Não comemorem entreguistas e vendilhões da Pátria – o Petróleo é Nosso e a Petrobras é Patrimônio do Povo Brasileiro!
Maria Augusta Tibiriça – SEMPRE PRESENTE.
Pedro luiz

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Grande entrevista Ura!!!

SÁBADO, 11 DE ABRIL DE 2015
Entrevista com Urariano Mota

ENTREVISTA COM URARIANO MOTA

Não tenho dúvidas, era a mesma pessoa. Já vira aquele menino antes, na zona norte, em outra transversal do tempo. Não era muito bom jogando bola, mas contava histórias como ninguém. E gostava de pular o muro do terreno de seu Lula, para pegar azeitonas pretas. Não seria difícil conversar com ele. Afinal já nos conhecíamos, mesmo que de vista. Andáramos pelas mesmas ruas, comemos os abacaxis do Mercado de Água Fria, cortamos os cabelos com o mesmo barbeiro da Rua Japaranduba. Era um velho conhecido. Foi só lhe dirigir a palavra e a conversa aconteceu. Não na praia do Pina ou em alguma esquina de Água Fria, mas nas terras férteis da internet. O resultado dessa conversa está colocada abaixo. Com muita sinceridade (Clóvis Campêlo).

CLÓVIS CAMPÊLO – Quando foi que um anjo torto te disse para ser “gauche” na vida?

URARIANO MOTA – Em lugar dos versos “Quando nasci, um anjo torto, desses que vivem na sombra, disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida”, na minha vida, em mais de uma oportunidade, não houve qualquer anjo. Pelo contrário, muitas vezes, na infância e já adolescente, eu senti que um “urubu pousou na minha sorte”, para lembrar o verso definitivo de Augusto dos Anjos. Pouso e sem pose, nada retórico. Nem mesmo Deus. Caso semelhante ao do narrador em O Filho Renegado de Deus: “‘Eu tenho um acerto pessoal com Deus’, a consciência de Jimeralto gritava”. Mas se entendo a sua pergunta de outra maneira, digo que filho de mãe descendente de índio com branco e de pai mulato, trabalhador do cais do Recife, nascido em Água Fria, eu tinha mesmo que ser gauche, ou seria idiota. Ser gauche foi a minha salvação. Taí, um crente diria que Deus escreve certo por linhas tortas. Mas observo que o “gauche” na minha resposta vem da tradução do francês, “esquerda”, “ser de esquerda”. Creio ser esse um dos significados dos versos de Drummond, e não o que lhe dá o dicionário, “tímido, canhestro, torto”. Foi no sentido de “esquerda” que respondi.

CLÓVIS CAMPÊLO – Penso que ninguém nasce de “esquerda”, entendeu? Nascemos “cristãos” e “capitalistas”. Somos impregnados por essas ideologias desde o berçário da maternidade. Tornar-se de esquerda, significa tomar conhecimento de outras informações e leituras do mundo e optar por elas. A pergunta foi nesse sentido. Quando se deu esse “start”? Em que fase da tua vida isso aconteceu?

URARIANO MOTA – De fato, ninguém nasce de “esquerda”, na medida em que todos nascemos nus, despidos, com um patrimônio animal, antes de nos tornarmos humanos. Mesmo quanto à tradição capitalista e cristã que se incorpora adiante em nós como uma segunda pele, com todos os preconceitos de que somos feitos, essa segunda pele vem com mistura de tudo, vale dizer, também de cultura que nem é cristã nem capitalista. O que dizer, por exemplo, da vizinha que divide a comida com o outro em dificuldade, isso é capitalista ou cristão?
Mas você quer o começo biográfico. O “start” para a esquerda, Clóvis, veio se construindo, em momentos cruéis e cruciais da minha vida, porque a minha tradição era de americanófilos, como de resto eram os suburbanos naquela fase imperiosa de Hollywood e propaganda pós-guerra dos Estados Unidos. Então eu lembro que, menor de idade, fui contínuo em A F Motta & Cia. Ltda, que ficava na Rua da Concórdia. Ali, todas as manhãs, eu tinha que limpar a lixeira com escarro do dono português. Quanto catarro possuía na garganta o patrão. Cuspia e tossia o dia inteiro, antes que o anjo do câncer o levasse para o céu. O meu cinto era um cordão barbante. Os jovens hoje, os filhos, nem imaginam o quanto era inacessível um simples cinto para as calças. Então na festa do fim do ano ganhei um de presente, da caixa da loja, e o peguei morto de vergonha, porque haviam descoberto o que a minha camisa cobria. Dias depois, a caixa da loja, a doce e amável caixa, me emprestou A Mãe, de Górki. Esse é um dos começos que vieram se somando.

CLÓVIS CAMPÊLO – E como chegou aos seus grandes ideólogos? De onde tirou a base de sustentação para essa opção ideológica?

– URARIANO MOTA – Em primeiro lugar, da necessidade urgente de procurar uma resposta para a desordem do mundo. Como Deus poderia admitir que a injustiça triunfasse de todas as maneiras? Que o mundo fosse uma ordem que não respeitava o talento, o amor, o afeto, o brilho e a sensibilidade de rapazinhos suburbanos, como podia? Aliás, não podia, só fodia, a alma da gente. E a partir dessa necessidade, os amigos, as pessoas de esquerda que conheci, as melhores pessoas que podíamos conhecer nos anos 70.
Sobre esse momento, o meu primeiro romance “Os corações futuristas” narra:
“- Deus não está do nosso lado – João fala.
–Ainda acredita em Deus? – Vevê pergunta.
– Que pergunta! – João responde. – Se existe ou não, Ele não está do nosso lado. Isso é o que importa.
– Fecho – Miro diz. – Há muito que Deus não está por nós. Às vezes está conosco, mas é contra nós…..
Naquela manhã , ao atingir a Suassuna, João estragou o sapato chutando muros dos jardins de casas na avenida. Miro, mais sereno, acompanhou aquela angústia como um personagem que tudo vê, num pesadelo. Aquela angústia também era sua, mas amenizada, por temperamento e crença. Vevê ficou em casa, para dormir. Terminou por ‘furar um ponto’, às onze horas do dia. Samuel, nem feliz nem contente, apenas dizia, ‘João, João’ e não sentia em si forças para conter aquele assalto de desespero. O certo é que todos tinham os olhos vermelhos, marejados, e os corpos dissolutos. Cada um guardava no íntimo, e sabiam que este era um segredo comum, que não se diziam: vida, tu és amarga.”

CLÓVIS CAMPÊLO – Dando sequência, eu perguntaria se a sua opção realmente lhe serviu para modificar positivamente o mundo, ou se mostrou como um instrumento sem a força necessária para isso. O escritor é um demiurgo que tenta reconstruir e reorganizar o dito cujo. Mas, entre a literatura e a realidade existe uma certa distância. Como você administra isso?

URARIANO MOTA – Há uma corrente de céticos, que eu chamaria de cínicos, para não dizê-los coisa pior, há uns desonestos cuja reflexão para a literatura é dizer que ela serve para nada. Aqui ainda não é o lugar de responder à altura a essa falsidade. Mas para falar o mínimo, eu digo que a opção de escrever me salvou, ou me tem salvo até aqui. Mais: que a minha pouca obra já serviu para melhorar a sorte de Canhoto da Paraíba, por exemplo, quando uma Oração que lhe fiz (ah esses ateus…) lhe gerou uma pensão do governo da Paraíba. Mas a minha ambição, é claro, é maior.
Eu, como todos que amam a literatura, gostaria que ela transformasse o mundo. Menos, ó quixotesco, menos. Então eu já me conformo com a mudança e salvação humana que ela tem operado em mais de uma pessoa. Por exemplo, na recuperação, no grito contra injustiças malditas, seculares, como fiz com “O filho renegado de Deus’. Na recriação dos assassinatos no Recife em 1973, como escrevi em “Soledad no Recife”. Ou como a resposta que venho dando ao desafio de uma quiromante, quando ela me disse: “É preciso salvas as almas socialistas que clamam justiça”. É coisa de doido? É coisa da poesia!
Então, nesse particular sentido, acho que tenho contribuído com o meu grãozinho de areia para a mistura do cimentinho que vai levantar um tijolinho de nada para a casa dos homens, que vai dar uma salvação da pessoa, que corre agora dos tiros e bombas que querem matá-la. Se uma só página, se uma só linha, quem sabe se uma só palavra, acender a luz nos olhos de uma maldiçoado que morria sem saída, então estou muito feliz e melhor ainda pago.
Recupero de um texto que publiquei sob o título de A literatura salva:
“ – O que eu ganho com isso, professor?
‘Isso’ era a literatura. Quando essa pergunta me era feita por jovens da periferia, excluídos, isso me ofendia muito mais que a pergunta do jovem classe média. Aos de antes eu respondia com uma oposição quase absoluta, porque não me via em suas condições e rostos. Mas aos periféricos, não. Eu passava a ser atingido nos meus domínios, na minha gente, porque eu olhava os seus rostos e via o meu, no tempo em que fui tão perdido e carente quanto qualquer um deles. Então eu não sorria. Aquilo, do meu semelhante, me acendia um fogo, um álcool vigoroso, e eu lhes falava do valor da literatura com exemplos vivos, vivíssimos, da minha própria experiência. Então eu vencia. Então a literatura vencia. Mas já não tinha o nome de literatura. Tinha o nome de outra coisa, algo como histórias reais de miseráveis que têm a cara da gente. Mas tudo bem, eu me dizia, que se dane o nome, vence a literatura.”
Em um dia de 7 de setembro, “Oração para Canhoto da Paraíba” foi lida como um poema no Mais Você, de Ana Maria Braga. Quando terminou o programa, Vitória, a filha do violonista, ligou para mim e anunciou: “O governador da Paraíba acaba de ligar, papai vai ter uma pensão”. Então eu lhe disse como resposta: “Este é o melhor 7 de setembro da minha vida”. Assim falei porque não poderia na voz falar: obrigado, amiga, acabas de me anunciar para que serve a literatura. Para diminuir um pouquinho que seja o sofrimento e a dor da gente.

A “Oração para Canhoto da Paraíba” pode ser lida aqui
http://www.samba-choro.com.br/debates/1091407338

No YouTube, os vídeos e reportagens que documentam a leitura do texto:



CLÓVIS CAMPÊLO – Um famoso escritor pernambucano afirmava que seus personagens se sobrepunham ao sistema usando a esperteza, nunca o confronto. No meu entendimento, ao usar essa estratégia ele justificava o status quo e referendava o dito popular que diz que “o mundo é dos mais espertos”. Os seus personagens também se utilizam dessa estratégia da esperteza ou usam a indignação como força motriz transformadora?

URARIANO MOTA – Ótima pergunta, Clóvis. O que move os personagens sobre os quais escrevo é a afirmação de humanidade em um mundo profundamente inumano. Eles lutam e enlutam com a boa e má luta. De todas as maneiras. São quixotescos? Não, gostaria que fossem pessoas. Gente de cara e dente. São indivíduos que me impressionam e me falam (assim como espero que falem aos leitores): “a nossa vida é curta. Por que diminuí-la ainda mais?”. Isto é, por que torná-la menor que as nossas necessidades animais? É claro que não são santos nem heróis. Não estou escrevendo uma hagiografia. Eles têm pecados, alguns mortais, cabeludos, porque assim somos feitos, de pecado, carne, egoísmo, generosidade e sexo. Mas no limite eles querem apenas afirmar a necessidade irrefreável do amor. Como aqui, em O filho renegado de Deus:
“Seria específico de ti o teu amor pelo irmão homossexual? Que dupla desconforme desconformidade a tua, ao desejar o incesto com um homem que não te queria para o sexo. No entanto, Maria, os censores nem veem que o desnatural vinha antes: a mulher em plenitude que não era amada. Percebes agora a extensão do teu infortúnio? É claro, os teus olhos fechados nesta hora me falam que já percebias, mas a teu modo continuavas a viver, na tua bravura sem queixa. Pois contigo me veio a lição, aquela que não se encontra escrita nos livros, mas se acha codificada na vida dos dignos: os que lutam não se queixam. Vão em frente, como se felizes estivessem, vão em frente, apesar de, apesar de, apesar da infâmia sofrida. Se não têm mãos, lutam com os pés. Se não têm pernas, braços, lutam com o cuspe. E não se dizem nunca ‘coitado que sou, pobre de mim’, porque à queixa pertencem os vigaristas. Então, o que seria mais o teu específico? A tua obesidade, a tua pouca estatura, a tua miséria, a tua dor de mulher não amada pelo companheiro, ou a tua agonia de morrer com o filho no ventre?”

CLÓVIS CAMPÊLO – Urariano, quando você afirma que os seus personagens não são santos nem heróis, fico com a impressão de que o autor tenta lhes imputar uma aura de realidade, a questão da verossimilhança. Em quase todas as literaturas essa opção narrativa marca as obras que se caracterizam pela marca do realismo, em contraponto ao fantástico que marcou uma geração de autores latinos. Como autor, como você se situa diante dessas duas formas de escrever e narrar?

URARIANO MOTA – Clóvis, penso que o realismo vai além do que se convencionou chamar de realismo. Quero dizer, toda obra de arte se faz no domínio da realidade humana. Melhor dizendo, ela se prende na – e se liberta da – realidade factual. Escrevo isso, e nos meus olhos passam agora Guernica, de Picasso, e Chagall. Estou vendo Cícero Dias, mais Lula Cardoso Ayres e suas almas penadas, que só arrepiam pela beleza. Mas de um ponto de vista estrito, literário, leio e releio Gabriel García Márquez, e encontro a realidade latino-americana, mesmo quando o sangue de um filho assassinado atravessa a rua, sobe a calçada e volta para o útero da mãe na rede. É tudo dentro do domínio da realidade, até mesmo o que desobedece à lei física, até mesmo quando um homem acorda transformado em um inseto.
Esclareço melhor, creio: eu só vim a compreender o Kafka de A Metomorfose quando revi o homem de uma família amiga. Ele era excepcional, e na sua casa o escondiam das visitas. Aquilo era puro Kafka, quando a família do rapaz-monstro o esconde das visitas. Tudo tão realidade, não é? (por sinal, Kafka é muito realista, ainda que fale de uma colônia de ratos ou da Colônia Penal). Lembro também que a família da García Márquez reconhecia todos os personagens, mesmo os mais sem nexo, entre as pessoas da cidadezinha de Aracataca, aliás, Macondo. Quero dizer, o naturalismo foi que viciou, mal acostumou as pessoas na percepção de que o imediato, visível, é que era o real. Mas não. A realidade vem de antes de Cervantes, passa pelo Dom Quixote e nos encontra até hoje.
Assim, creio estar no reino do real mesmo quando narro, em O Filho Renegado de Deus, um diálogo entre Maria, morta em um caixão, e Filadelfo, que se exibe marido apaixonado no enterro:
“- Tudo, menos essa falsidade. Respeita-me!
Pois o corpo de Maria com vida anímica lhe falava, estabelecia com ele um diálogo que não era mudo, apesar de inaudível ao publico do espetáculo. Nesse diálogo vinham os dias em que ele não estava em casa porque estaria trabalhando. E Filadelfo bem sabia ser mentira, pois a morta insinuava o que não queria lembrar. No breve e torturante discurso de Maria ao remorso de Filadelfo, aquele rosto suave para o filho se contraía duro:
– O teu choro engana os bestas. As tuas lágrimas, por mais que chores, não lavam o teu sujo.
– Eu não tive culpa, Maria. Eu não sou culpado, você não quis ir para a maternidade, Filadelfo gritava.
– Por que mentes? Eu já estava sacrificada. O que eu fizesse era inútil. Morria na maternidade ou em casa.
– Maria, eu sempre quis o seu bem.
– Mentira! Tu querias o teu bem. Por que me arrancaste de casa? Eu queria ter a minha última hora com o meu filho, Por quê? Porque a tua vontade era a única e exclusiva. Eu não tive direito nem à minha última.
– Tanto que eu lhe disse, cuide-se, Maria, cuide-se…
– Não, a tua fala era de que gostavas de mulher carnuda. Depois viravas a cara para o outro lado.
– … Deus é testemunha.
E ao ouvir esse ‘Deus é testemunha’, no rosto de Maria se desenhava o sinal de um sorriso. Vendo esse traço nos lábios, Filadelfo espalmava as mãos em vertical sobre os olhos, apertando as pálpebras. Bom seria que a sua consciência não pensasse. Havia, claro, dois gêneros de Deus. Um para Filadelfo, outro para Maria”.
A realidade não nos prende, enfim. Ela nos liberta pela possibilidade que teremos em aprofundá-la, ao nível da nossa observação e experiência. Chamam a isso de verossimilhança. Sim, mas prefiro dizer, uma prospecção do real.

CLÓVIS CAMPÊLO – O escritor japonês George Oshawa acreditava que morreria cedo em função de muito ter escrito quando era vivo. Dizia que escrever nos consome muita energia vital. Morreu aos 78 anos com a impressão de que muito do que escrevera não seria utilizado pelas pessoas como forma de evolução pessoal e intelectual. Você também sente isso? Quais as estratégias que utiliza para atingir um grande público e com ele se identificar? Você acha que o escritor sempre estará condenado à solidão?

URARIANO MOTA – Olhe, morrendo aos 78 anos, o escritor japonês chorou de barriga cheia. Quem morreu de trabalho (e dívidas) foi Balzac, aos 51 anos, depois de uma obra colossal em quantidade e qualidade. Mas é verdade que escrever consome muita energia, tanto mental quanto física, ainda que o escritor não saia do canto. Às vezes, é muita tensão. Na maioria das vezes, mexe com o peito da gente, sangra. E nem pense que isso é drama. Arrancar de si o que um homem nem às paredes confessa, como traumas, remorsos, amores ocultos e vilezas, isso não é atividade de gente normal. Tem um preço alto para a saúde. Mas e aí, seria melhor viver sob a falsidade?
Que venha a expressão da dor. Mas considere que assim como jesus-morreu-na-cruz-para-nos salvar, o homem morre todos os dias. A nossa vida só é vida se estivermos em atividade. O homem É na ação. No escritor, na ação de escrever. Confesso que às vezes frustra muito, porque melhor seria um soco, um tiro, uma bomba. Mas a covardia da gente faz o que pode. Quanto à solidão do escritor, acho um mito. É claro, no momento da escrita ele está sozinho para a rua, para a casa, para a mulher, para os familiares, para os amigos. Mas está acompanhado dos que o acompanham na memória e sentimento.
É possível que o meu texto não seja aproveitado. Quero ter no entanto a consciência de que fiz o que meu coração pedia.

CLÓVIS CAMPÊLO – Como você vê a literatura brasileira hoje? Existe nela um lugar de destaque para os nordestinados? Renato Boca-de-caçapa, o filósofo do povo, afirma que nós, nordestinos, sofremos dois tipos de colonização cultural: a que nos é imposta por Tio Sam, nosso eterno colonizador, e a colonização cultural interna, onde temos que conquistar o sudeste para poder ser aceito no nosso rincão? Você concorda com essa visão?

URARIANO MOTA – Esse Renato Boca-de-Caçapa é dos bons. Ele está certo. Falo agora de um episódio esclarecedor. Não faz muito, em Garanhuns, tive uma discussão braba com agentes culturais e um escritor que acreditavam ser os escritores do Sudeste melhores que os regionais. Razão alegada e prova: os do sudeste publicavam pelas grandes editoras. Daí a razão de merecerem melhores cachês que os fodidos escritores pernambucanos. Aí o bicho pegou. Dois momentos cômicos aconteceram então na mesa do restaurante:
1. Durante a discussão, eu me exaltei e disse que para escrever como Mario Vargas Llosa em Tia Júlia e o Escrevinhador, eu escreveria “cagando”. Claro, era um exagero retórico. Mas um escritor recifense assim me respondeu: “então, comece a cagar”.

2. Na saída, entre abraços de despedida, eu disse à produtora que só voltaria a Garanhuns quando recebesse o mesmo cachê que um “escritor do Sul”. Ao que o escritor garanhuense interveio: – Você quer dizer que volta mais nunca.

Vida que segue. Eu espero voltar. Ou nunca.

CLÓVIS CAMPÊLO – Acabamos de eleger pela quarta vez consecutiva uma candidata petista para a presidência da República do Brasil, para desespero das velhas oligarquias políticas brasileiras. Como você vê a situação sócio-econômica do Brasil depois desses três mandatos petistas cumpridos? Melhoramos ou a vaca começa a ir para o brejo? Somos o país do presente, a bola da vez, ou as forças conservadoras conseguirão retomar o comando e reimplantar o atraso? Qual a sua opinião sobre isso?

URARIANO MOTA – Clóvis, eu e a maioria do povo brasileiro votamos e votarei de novo em governos que sigam o caminho aberto por Lula. Não me arrependo e estou na linha de frente e defesa do governo Dilma, que é execrado pelos acertos, não pelos erros. Vi e testemunhei o crescimento extraordinário de Pernambuco, do Nordeste, que a propaganda de Eduardo Campos e assemelhados quis creditar ao próprio governo. Vi parentes meus no Alto de Santa Terezinha entrarem na universidade, terem escola pública de qualidade, melhorarem de vida com bolsa família, e mais adiante se empregarem em atividades dignas, especializadas, e assim não precisarem mais da ajuda do governo.
Vi o pernambucano Lula se erguer como um dos líderes do mundo. Vi uma ex-guerrilheira, chamada de terrorista, assumir os destinos do Brasil. Como podemos renunciar à continuação de um sonho?

Recife, abril de 2015

Postado por Clóvis Campêlo às 06:45

Não me interessa as provas, FOI VOCÊ! Juiz Moro

O pesado legado que Joaquim Barbosa deixou para a democracia brasileira
SEX, 27/03/2015 – 09:15
ATUALIZADO EM 27/03/2015 – 09:17
Maria Inês Nassif
Márcia Kalume/Agência Senado

da Carta Maior

O pesado legado que Joaquim Barbosa deixou para a democracia brasileira

Em vez de servir para punir exemplarmente culpados, o “mensalão”, com seu domínio do fato, transformou a Justiça em parte do terceiro turno eleitoral.

Maria Inês Nassif

Na briga política com “P” maiúsculo, quando se traça estratégias de disputa com grupos oponentes, define-se um limite além do qual não se deve ultrapassar, por razões éticas ou para não abrir precedentes que, no futuro, possam se voltar contra o próprio grupo que não observou esse limite. Em ambos casos, a preservação dos instrumentos de luta democrática é a preocupação central.

O Supremo Tribunal Federal (STF), a partir do caso chamado Mensalão, arvorou-se em fazer política com “p” minúsculo, sem pensar nos precedentes que abria nos momentos em que jogava para a plateia, escolhia inimigos e relativizava a Constituição. Ao fazer jogo político sem que fosse qualificado para isso, pois não é um poder que decorre da livre escolha popular, não mediu as consequências e deixou uma lista de precedentes com potencial de corroer a democracia brasileira.
O primeiro mal exemplo que deu foi o de que um poder não deve obedecer limites. Ao longo do período pós-ditadura, a Corte maior do país se dedicou a uma crescente militância. A nova composição do Supremo, pós-Mensalão, é muito mais jurista do que política, mas é ela que vai ter que pagar pelo erro dos seus antecessores.

No julgamento do Mensalão, em vez de manter-se acima de um clima de comoção artificialmente criado por partidos de oposição e uma mídia avassaladoramente monopolista, o STF fez parte da banda de música. O que se tocava era um mantra segundo a qual qualquer que fossem as provas, quem deveria pagar com a cadeia era a banda governista envolvida no escândalo. Se as provas não corroborassem, que se danassem as provas. Era uma onda de pânico tão típica de momentos aterrorizantes da história mundial – como a ascensão do nazismo e do fascismo, com a repetição de “verdades” construídas sobre afirmações mentirosas, mas fáceis de atrair ódio sobre grupos políticos adversários – que a inclusão da Corte Suprema do país nesse tipo de armação foi de tirar noites de sono de quem já viveu o pesadelo de ditaduras.

O STF abraçou entusiasticamente a tese do domínio do fato para justificar a condenação, por exemplo, de Henrique Pizzolatto (acusado de desviar um dinheiro da Visanet, empresa privada de cartões de débito, que comprovadamente foi destinado para veiculação de anúncios nos próprios veículos de comunicação que o acusavam de corrupção), ou de José Genoíno (que foi condenado porque assinou um empréstimo bancário que comprovadamente entrou na conta bancária do PT e foi quitado pelo partido), ou de José Dirceu (que se supôs ser o mentor do esquema sem que nenhuma prova disso fosse apresentada à Justiça). Com isso, a Corte deu satisfações a uma parcela da população que advogava a prisão a qualquer custo, mas por este prazer de momento legou ao país a dura herança da condenação sem provas e do espetáculo midiático em vez do julgamento justo. O STF alimentou o senso comum de que lugar de adversário político é na cadeia. A democracia brasileira vai levar anos, décadas, uma era, para se livrar desse legado.

O juiz Sérgio Moro forçou a mão nas suas decisões de indiciamento das pessoas mais ligadas ao PT e ao governo, no curso da Operação Lava Jato, e provavelmente condenará a todos eles, com provas ou, se não consegui-las, por suposição. Mas não se pode acusá-lo de ter inventado a roda. A insegurança jurídica provocada pela teoria do domínio do fato – que aproxima a Justiça da democracia brasileira dos famigerados Inquéritos Policiais Militares (IPMs) da ditadura, responsáveis pela “investigação” e “julgamento” de adversários políticos por suposições de corrupção – é obra do ex-ministro Joaquim Barbosa, corroborada pela maioria do plenário do STF, no bojo de uma histeria coletiva artificial provocada por uma pressão direta da oposição e dos meios de comunicação, on line, na medida em que o julgamento se desenrolava nas telas das TVs. Barbosa continuará produzindo condenações altamente questionáveis mesmo depois de ter ido embora para casa tuitar palpites sobre uma democracia que ele não cuidou quando era ministro do Supremo.

Daí que o precedente Joaquim Barbosa gerou Sérgio Moro, que forçou a mão nas peças jurídicas que levaram ao indiciamento de uns, e deixaram passar culpas de seus oponentes.

O precedente Joaquim Barbosa condenou Pizzolatto por contratos do Banco do Brasil com a Visanet que são anteriores à sua posse na diretoria da Marketing da estatal. O tesoureiro do PT, João Vaccari, foi indiciado por financiamentos legais de campanha feitos ao seu partido pelas empresas implicadas no escândalo Petrobras desde 2008 – sem que Moro tenha se importado com o detalhe de que Vaccari assumiu a tesouraria da legenda a partir de fevereiro de 2010. Se a intenção fosse a de fazer justiça, o juiz teria no mínimo feito referência ao tesoureiro anterior. Usou, todavia, o domínio do fato, para argumentar uma responsabilidade telepática de Vaccari sobre fatos que aconteceram mesmo antes de ele assumir o cargo.

O juiz argumenta, ao aceitar a denúncia, que João Vaccari “tinha conhecimento do esquema criminoso [de pagamento de propinas por empresa fornecedoras da Petrobras] e dele participava”, fiando-se em delações premiadas de participantes do esquema que tinham interesse pessoal em responder aos anseios das autoridades policiais e judiciárias que jogavam para uma plateia – e que fizeram isso de forma mais intensa no período eleitoral, com fartos vazamentos seletivos sobre um inquérito que envolveu Deus e o diabo na terra do sol.

Moro tomou como fato inquestionável – e confundiu isso com prova – que o esquema envolveu exclusivamente os últimos governos, e que o financiamento dado oficialmente ao PT era, na verdade, produto de propina. E traçou uma lógica segundo a qual a cada fechamento de contrato pelas empresas envolvidas resultava numa doação legal para o PT, ou para uma campanha do PT.

Quando se toma a doação dessas mesmas empresas para o PSDB e para o PMDB, todavia, fica um grande vazio. Existem duas ordens de doações privadas para partidos e candidatos, segundo Moro: uma, recebida por determinados partidos, que são propina; outra, captada por outros partidos, que não são crimes.

Se tomados os dados de doação registrados junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as 16 empresas envolvidas no Caso Lava Jato (Galvão Engenharia, Oderbrecht, UTC, Camargo Correa, OAS, Andrade e Gutierrez, Mendes Júnior, Iesa, Queiroz Galvão, Engevix, Setal, GDK, Techint, Promon, MPE e Sranska) contribuíram com R$ 135,5 milhões para as eleições de 2010 e R$ 222,5 para as eleições de 2014.

Nas eleições de 2010, o PMDB, que não tinha candidato presidencial, recebeu a maior parcela, de R$ 32,85 milhões; o PT, R$ 31,4 milhões e o PSDB, R$ 27 milhões. Foram os três maiores agraciados, com 24%, 23% e 20% das doações totais dessas empresas, respectivamente. Todavia, o PSB, o PP, o PRB e o PSC conseguiram também quantias consideráveis: R$ 19,5 milhões, R$ 6,5milhões, R$ 4,95 milhões e R$ 2 milhões, respectivamente. PDT, PC do B, DEM, PTB, PTN, PTC, PTdoB e PMN receberam entre R$ 150 mil e R$ 1,8 milhão.

No ano passado, PT e PSDB mantiveram, de novo, arrecadação muito próxima dessas mesmas empresas. O partido de Dilma conseguiu R$ 56,38 milhões junto a essas fontes, mas o PSDB de Aécio não ficou muito atrás: obteve R$ 53,73 milhões. O PMDB ficou em terceiro em arrecadação, mas rivalizando com os dois partidos que disputaram a Presidência no segundo turno: conseguiu levantar R$ 46,62 milhões dessas empresas. O PSB de Marina Silva ganhou R$ 15,8 milhões; o DEM, R$ 12 milhões; o PP, R$ 10,25 milhões; o PSD, R$ 7,13 milhões; e o PR, R$ 6,85 milhões. Os demais partidos arrecadaram entre R$ 3,3 milhões e R$ 100 mil.

Esses números certamente não querem dizer que todos os partidos que receberam dinheiro dessas empresas tenham, na verdade, recebido propina por serviços prestados a elas. Mas indicam que a simples existência de doações legais ao PT não comprova propina. É preciso que existam provas do ilícito, e que elas sejam mais consistentes do que a delação de implicados que são réus confessos e que foram premiados pela Justiça.

É esse legado que o país carrega do caso Mensalão. Em vez de servir para punir exemplarmente culpados, o Mensalão abriu o precedente de incluir a Justiça com parte de um terceiro turno eleitoral. A Justiça brincou de fazer política e não olhou para os precedentes que abria. A insegurança jurídica que isso causa pode levar no mesmo rodo, no futuro, a água dos que encenaram o espetáculo da condenação sem provas.

Sonegação da Globo.

4 de março de 2015 – 16h24
Merval, Sérgio Moro e a morte do direito

O juiz Sérgio Moro foi, como se sabe, homenageado pelas organizações Globo como personalidade do ano no prêmio Faz a Diferença, honraria que recebeu por ser um magistrado imparcial e rigoroso, sendo apenas mera coincidência um eventual alinhamento de suas decisões com os desejos deste poderoso grupo de comunicação.

Mas muita gente boa opinou, inclusive, que pelos nítidos interesses políticos e econômicos que o grupo Globo persegue, o melhor para um juiz tão cioso de sua independência e imparcialidade, como Sérgio Moro, seria ter se recusado a receber o prêmio. Tememos que estas opiniões não tenham alcançado Moro a tempo, pois talvez o fizessem refletir sobre os perigos para a sua credibilidade desta tão estreita proximidade com uma empresa que é praticamente o órgão de um partido político (PSDB) e porta voz de um movimento golpista. E o que acontece? Um hipotético leitor malicioso, que não conheça a seriedade do juiz Moro, ao ler a edição desta terça-feira (24) do jornal O Globo, é capaz de pensar no impensável: que o magistrado e a empresa de comunicação têm interesses políticos comuns e traçam táticas em conjunto. Senão, vejamos. O juiz mandou transferir, nesta segunda-feira (23), 12 presos da Operação Lava Jato da carceragem da polícia federal, em Curitiba, para um presídio em Pinhais, onde os detidos (que ainda não foram julgados e muito menos condenados, sendo isto, é lógico, um mero detalhe muito justificadamente ignorado pelo novo e avançado ordenamento jurídico brasileiro) usarão uniformes, tomarão banho coletivo, além de outras regalias como a possibilidade, admitida pelo próprio juiz Sérgio Moro, de que venham a sofrer violências de outros detentos.

A esperança de Merval

Entre os presos transferidos está o ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, que tem se negado de forma enfática a fazer o acordo de delação premiada. Só permaneceram na PF Nestor Cerveró e Ricardo Pessoa, que está em processo de negociação da delação premiada. Segundo escreve um dos principais colunistas amestrados da mídia hegemônica, Merval Pereira, na edição desta terça-feira do jornal O Globo, a transferência dos presos pode ser decisiva “para que surjam novas provas no processo do petrolão” e liga diretamente esta esperança ao envio de Renato Duque “para a cadeia do Complexo Médico-Penal em Pinhais”. Para Merval, isto “faz com que Renato Duque esteja mais próximo do que nunca do momento de decisão sobre sua própria delação premiada”. Merval lembra (com certeza neste momento já leram para Duque esta parte da coluna várias vezes) que enquanto o delator Barusco “está em liberdade devido à delação premiada, Renato Duque está na cadeia.” E, o mais espantoso, Merval já adianta qual será o veredito de Sérgio Moro, tanto em relação à Duque quanto em relação a Barusco: “Renato Duque está na cadeia próximo de uma condenação que será mais rigorosa do que a do próprio delator”.

Os aspectos irrelevantes

Notem que o jornalista não se preocupa sequer em tomar qualquer precaução ao fazer sua afirmativa. Ele não escreve que Duque “pode” estar próximo a uma condenação rigorosa. Ou que “deve” estar próximo a uma condenação rigorosa. Ele é enfático ao mostrar conhecimento antecipado não só do veredito mas também de sua extensão. Denota Merval uma inaceitável proximidade com o centro de condução da Operação Lava Jato, onde o grupo Globo seria (vejam anossa precaução: “seria”) encarregado de blindar qualquer coisa feita em nome de alcançar os resultados desejados. Merval termina ainda com um aviso que é uma clara ameaça (trecho que deve também estar sendo lido e relido para Duque por delegados atenciosos), depois de adiantar que as primeiras sentenças de Sérgio Moro serão dadas até o meio do ano, diz Merval, mais uma vez mostrando saber de antemão os vereditos: os “ex-dirigentes da Petrobras têm pouco tempo para decidir revelar seus segredos antes de serem condenados”. Só um último escrúpulo de consciência impediu Merval de sugerir métodos como simulação de afogamento, privação do sono, e outras práticas mais “eficazes”, infelizmente, pelo que sabemos, ainda não adotadas no moderno ordenamento jurídico brasileiro para, não só obrigar alguém a falar, mas a falar o que se deseja ouvir. Não se exige nem a verdade, nem provas do que se afirma, aspectos irrelevantes que não interessam ao que existe de mais avançado em nossa justiça. É a morte do direito.

O valentão que ameaça a Dilma

A passeata neofascista do dia 15 deu fôlego a valentões de ocasião. Em declaração ao principal porta voz do movimento golpista, o jornal O Globo, o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (PSDB-SP) afirmou que “A presidenta Dilma vai deixar o cargo, por vontade própria ou não.” Para quem não se lembra, o candidato a Mussolini é conhecido por iniciativas bizarras. Em 2013 entrou com ação na Procuradoria Geral de República pedindo a condenação da presidenta por improbidade administrativa por esta ter enviado cartões de natal aos servidores públicos. Depois disse que iria acionar o TSE pelo encontro de Dilma com Lula! Por estas e outras o deputado recebeu do jornalista Jânio de Freitas a alcunha que o acompanha até hoje: “aspirante à perda do senso de ridículo”. Ou seja, um bobo da corte que só um jornal como o da famiglia Marinho leva a sério.

Constrangidos

O Notas Vermelhas já mostrou seu pouco apreço pelas avaliações destas agências internacionais, mas é engraçado assistir ao constrangimento dos jornalões, que apostavam no rebaixamento da nota do Brasil para estampar, nesta terça-feira (24) em manchetes garrafais o “aumento da crise”. Como a agência não rebaixou a nota, reafirmando que o país é um local seguro para se investir, a matéria com a notícia foi relegada às páginas internas. O site UOL (grupo Folha) tinha no início da manhã desta terça-feira (24) uma manchete hilariante, onde dizia que a agência S&P tinha dado “outra chance” ao Brasil. Imagino que o UOL, em um esforço de reportagem, presenciou o momento da decisão, que foi mais ou menos assim:

Diretor 1 da S&P: E aí, pessoal, vamos rebaixar mesmo a nota do Brasil?

Diretor 2 da S&P: Eu acho sacanagem, brasileiro é gente boa. Eu sempre passo o carnaval lá.

Diretor 3 da S&P: É verdade, e a caipirinha, e a caipirinha?

Diretor 1 de novo da S&P: Está decidido, vamos dar mais uma chance para o Brasil. Eles merecem.

Só mesmo o jornalismo de qualidade do grupo Folha para revelar o lado humano do mercado financeiro.

Que país é este? Vídeo sobre a sonegação da Globo

Uma das manchetes do jornal O Globo de hoje é “Tesoureiro do PT vira réu na Lava-Jato”, e acima do título: “Que país é este”? Para entender que país é este é preciso reservar apenas 17 minutos e assistir a esta excelente produção do Diário do Centro do Mundo. No vídeo abaixo, conta-se resumidamente a escabrosa história da fraude milionária da Globo, incluindo suborno à funcionários públicos e cumplicidades camufladas no judiciário e no aparelho policial. Proponho uma corrente de divulgação do vídeo como parte das comemorações dos 50 anos da Globo. Assistam e, pela democracia no Brasil, divulguem.

Para terminar com alegria, um poema que está circulando nas redes

O Golpe sempre de fora – PSDB e outros a serviço como sempre externo.

Reprodução da entrevista do cientista político e historiador Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira concedida ao site PT na Câmara

Moniz Bandeira: EUA promovem desestabilização de democracias na América Latina; atores muito bem pagos atuam na Venezuela, Argentina e Brasil

publicado em 17 de março de 2015 às 18:08

“EUA promovem desestabilização de democracias na América Latina”, denuncia Moniz Bandeira

Entrevista concedida ao PT na Câmara e publicada no site da liderança do PT

O cientista político e historiador Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira denunciou hoje (17) que os Estados Unidos, por meio de órgãos como CIA, NSA (Agência Nacional de Segurança) e ONG´s a eles vinculadas, continuam na tentativa de desestabilizar governos de esquerda e progressistas da América Latina, como os da Venezuela, Argentina e Brasil. Em entrevista ao PT na Câmara, por e-mail, Moniz Bandeira disse que ‘’evidentemente há atores, profissionais muito bem pagos, que atuam tanto na Venezuela, Argentina e Brasil, integrantes ou não de ONGs, a serviço da USAID, Now Endowment for Democracy (NED) e outras entidades americanas”, para desestabilizar esses países, com a utilização de instrumentos que incluem protestos de rua.

‘’As demonstrações de 2013 e as últimas, contra a eleição da presidente Dilma Russeff, não foram evidentemente espontâneas”, disse o cientista político. “ Os atores, com o suporte externo, fomentam e encorajam a aguda luta de classe no Brasil, intensificada desde que um líder sindical, Lula, foi eleito presidente da República. Os jornais aqui na Alemanha salientaram que a maior parte dos que participaram nas manifestações de domingo, dia 15, era gente da classe média alta para cima, dos endinheirados’’, disse Moniz Bandeira, que reside na Alemanha e é autor de vários livros sobre as relações Brasil—EUA.

No caso do Brasil especificamente, citou iniciativas do PT e aliados que contrariam Washington, como a criação do Banco do Brics , uma alternativa ao FMI e ao Banco Mundial e o regime de partilha para o pré-sal, que conferiu papel estratégico à Petrobras, descocando as petroleiras estrangeiras. Ele lembrou também que a presidenta Dilma foi espionada pela NSA e não se alinhou com os EUA em outras questões de política internacional, entre as quais a dos países da América Latina.

Eis a entrevista:

1)O líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC), comentou nas redes sociais que a CIA tem atuado nas tentativas de desestabilização de governos democráticos na América Latina . Como o senhor avalia isso, diante de vários episódios históricos que mostram os EUA por trás da desestabilização de governos de esquerda e progressistas?

R – Washington há muito tempo está a criar ONGs com o fito de promover demonstrações empreendidas, com recursos canalizados através da USAID, National Endowment for Democracy (NED) e CIA; Open Society Foundation (OSF), do bilionário George Soros, Freedom House, International Republican Institute (IRI), sob a direção do senador John McCain, etc. Elas trabalham diretamente com o setor privado, municípios e cidadãos, como estudantes, recrutados para fazerem cursos nos EUA. Assim o fizeram nos países da Eurásia, onde de 1989 ao ano 2000 foram criadas mais de 500.000, a maioria das quais na Ucrânia. Outras foram organizadas no Oriente Médio para fazer a Primavera Árabe.

A estratégia é aproveitar as contradições domésticas do país, os problemas internos, a fim de agravá-los, gerar turbulência e caos até derrubar o governo sem recorrer a golpes militares. Na Ucrânia, dentro do projeto TechCamp, instrutores, a serviço da Embaixada dos EUA, então chefiada pelo embaixador Geoffrey R. Pyatt, estavam a preparar, desde pelo menos 2012, especialistas, profissionais em guerra de informação e descrédito das instituições do Estado, a usar o potencial revolucionário da mídia moderna – subvencionando a imprensa escrita e falada, TVs e sites na Internet – para a manipulação da opinião pública, e organização de protestos, com o objetivo de subverter a ordem estabelecida no país e derrubar o presidente Viktor Yanukovych as demonstrações contra o presidente Yanukovych, em fevereiro de 2014.

Essa estratégia baseia-se nas doutrinas do professor Gene Sharp e de Political defiance, i. e., o desafio político, termo usado pelo coronel Robert Helvey, especialista da Joint Military Attache School (JMAS), operada pela Defence Intelligence Agency (DIA), para descrever como derrubar um governo e conquistar o controle das instituições, mediante o planejamento das operações e mobilização popular no ataque às fontes de poder nos países hostis aos interesses e valores do Ocidente (Estados Unidos). Essa estratégia pautou em larga medida a política de regime change, a subversão em outros países, sem golpe militar, incrementada pelo presidente George W. Bush, desde as chamadas “revoluções coloridas” na Europa e Eurásia, assim como na África do Norte e no Oriente Médio. Explico, em detalhes e com provas, como essa estratégia se desenvolve em meu livro A Segunda Guerra Fria, e, no momento estou a pesquisar e escrever outra obra – A desordem mundial – onde aprofundo o estudo o que ocorreu e ocorre em vários países, sobretudo na Ucrânia.

2) Além da CIA, como os EUA atuam contra os governos de esquerda da América Latina?

R – Não se trata de uma questão ideológica, mas de governos que não se submetem às diretrizes de Washington. Uma potência mundial, como os EUA, é mais perigosa quando está a perder a hegemonia do que quando expandia seu Império. E o monopólio que adquiriu após a II Guerra Mundial de produzir a moeda internacional de reserva – o dólar – está a ser desafiado pela China, Rússia e também o Brasil, que está associado a esses países na criação do banco internacional de desenvolvimento, como alternativa para o FMI, Banco Mundial etc. Ademais, a presidenta Dilma Rousseff denunciou na ONU a espionagem da NSA, não comprou os aviões – caça dos EUA, mas da Suécia, não entregou o pré-sal às petrolíferas americanas e não se alinhou com os Estados Unidos em outras questões de política internacional, entre as quais a dos países da América Latina.

3) O governo da Venezuela tem denunciado a participação de Washington em tentativas de golpe. O mesmo poderia estar acontecendo em relação ao Brasil?

R – Evidentemente há atores, profissionais muito bem pagos, que atuam tanto na Venezuela, Argentina e Brasil, integrantes ou não de ONGs, a serviço da USAID, Now Endowment for Democracy (NED) e outras entidades americanas. Não sem razão o presidente Vladimir Putin determinou que todas as ONGs fossem registradas e indicassem a origem de seus recursos e como são gastos. O Brasil devia fazer algo semelhante. As demonstrações de 2013 e as últimas, contra a eleição da presidente Dilma Rousseff, não foram evidentemente espontâneas. Os atores, com o suporte externo, fomentam e encorajam a aguda luta de classe no Brasil, intensificada desde que um líder sindical, Lula, foi eleito presidente da República. Os jornais aqui na Alemanha salientaram que a maior parte dos que participaram das manifestações de domingo, dia 15, era gente da classe média alta para cima, dos endinheirados.

4) Que interesses de Washington seriam contrariados, pelo governo do PT, para justificar a participação da CIA e de grupos empresariais de direita, como os irmãos Koch (ramo petroleiro) , no financiamento de mobilizações contra Dilma? O pré-sal, por exemplo?

R – Os interesses são vários como expliquei acima. É muito estranho como começou a Operação Lava-Jato, partir de uma denúncia “premiada”, com ampla participação da imprensa, sem que documentos comprobatórios aparecessem. O grande presidente Getúlio Vargas já havia denunciado, na sua carta-testamento, que “a campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. (…) Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculizada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente”.

5) Como o senhor interpreta o surgimento de grupos de direita no Brasil, com agenda totalmente alinhada aos interesses dos EUA?

R – Grupos de direita estão no Brasil como em outros países. E despertaram com a crise econômica deflagrada em 2007-2008 e que até hoje permanece, em vários países, como o Brasil, onde irrompeu com mais atraso que na Europa. E a direita sempre foi fomentada pelos interesses de Wall Street e do complexo industrial nos EUA, que é ceivado pela corrupção, e onde a porta giratória – executivos de empresas/secretários do governo – nunca deixa de funcionar, em todas as administrações.

6) Há, entre os organizadores dos protestos, gente francamente favorável à privatização da Petrobras e das riquezas nacionais, com um evidente complexo de vira-latas diante dos interesses estrangeiros. Como analisar esse movimento à luz da história brasileira?De novo o nacionalismo versus entreguismo?

R– Está claro que, por trás da Operação Lava-Jato, o objetivo é desmoralizar a Petrobras e as empresas estatais, de modo a criar as condições para privatizá-las. Porém, estou certo de que as Forças Armadas não permitirão, não intervirão no processo político nem há fundamentos para golpe de Estado, mediante impeachment da presidenta Dilma Rousseff, contra a qual não há qualquer prova de corrupção, fraude eleitoral etc., elemento sempre usado na liturgia subversiva das entidades e líderes políticos que a USAID, NED e outras entidades dos EUA patrocinam.

Parasar e CAN – um rápido resumo.

Querida amiga Antonia e todos da Geração 68:
Tudo é surpresa para mim e a todos!
O CAN, Correio Aéreo Nacional, criado pelo Eduardo Gomes, foi
essencial na integração do Estado Brasileiro, apesar de ser piloto da
caça, meu pai fez diversas e muitas horas de vôo pelo CAN, coisa que o
orgulhava “fui um dos responsáveis pela integração do território
brasileiro.”
Não duvido o uso cretino,covarde e assassino de pilotos de transportes
utilizando o CAN para fins de crimes contra a humanidade.
O brigadeiro Eduardo Gomes tem uma história dúbia – foi o idealizador
,criador e incentivador do CAN, inspirado pelo serviço de correios
francês com o slogan – “em qualquer tempo , em qualquer terreno a
carta chegará!” Um livro famoso de Saint Exuperie – Terra dos Homens –
vale a pena ler,conta a odisséia nos Andes de um sobrevivente do
Serviço Francês – “O que fiz nenhum animal poderia fazer,apenas um
homem!”
Eduardo Gomes era severo e intransigente na sua criação, aberta um
nova rota aérea a missão tinha que ser cumprida.Muitos brasileiros
tomaram conhecimento do AVIÃO antes de qualquer automóvel ou caminhão.
Eduardo Gomes um dos responsáveis pela luta da soberania nacional
principalmente por sua atuação e autoridade na segunda guerra – sem
ela (autoridade e presença)teríamos perdidos as bases costeiras do
nordeste cedidas OPERACIONALMENTE aos americanos na segunda guerra –
OPERACIONALMENTE os americanos comandavam mas o COMANDANTE EM CHEFE
ERA EDUARDO GOMES , graças ao seu comando e autoridade os americanos
devolveram as bases com todas as benfeitorias,acredito que coisa
inédita na história da rapina americana.
Depois de Vargas,Eduardo Gomes,foi um desastre,GOLPISTA E LACERDENTO,
deixou a política partidária,o udenismo de Lacerda se instalar na FAB
– Jacareacanga,Aragarças,renuncia do Jânio e até 64 – tudo tinha os
dedos de Eduardo Gomes e sua área golpista de atuação – na Seção de
TRANSPORTE da Aeronáutica.
No golpe de 64 o brig Melo Maluco perseguiu seus companheiros
legalistas dando força aos Burniers da FAB,após veio o brigadeiro
Wanderlei,integrante do Primeiro Grupo de Caça com 10 missões de
guerra e um excelente historiador da história da aviação brasileira no
entanto fraco e sem comando, permitiu que a perseguição e repressão
dentro da FAB continuasse e pasmem! fez um decreto impedindo que todos
os oficias e subalternos atingidos pelos atos
“revolucionários”proibidos de exercerem quaisquer atividades
profissionais na área de aviação – nacional e internacional.
Após os dois veio Eduardo Gomes e a mesma política de perseguição e
repressão aos seus companheiros de fardas cassados,,mais um novo
decreto, a proibição de profissionais da aviação civil atingidos por
atos do golpes de também exercerem suas profissões.
No livro – Um Vôo para a história, Brig.Nero Moura – Fundação Getulio
Vargas – em entrevista para sua sobrinha Regina Moura dizia o Brig
Nero – “se acham que a ditadura Vargas foi violenta, não teria
paralelo caso Eduardo Gomes chegasse ao poder.”
Brigadeiro Nero Moura foi o comandante da Primeiro Grupo de Caça na
Itália,com 65 missões de guerra e Ministros da Aeronáutica com Getulio
eleito Presidente.
A FAB até hoje é dividida ( nem tanto) entre os “eduardistas” e os outros.
No final de sua vida, o Brig Eduardo Gomes, foi muito importante na
defesa dos heróicos componentes do PARASAR que se recusaram a seguir a
ordem criminosa de Burnier e cia.
Escreveu cartas denunciando o brig Burnier,apelos pela carreira ,
soltura do cap Sergio Macaco e companheiros e finalmente totalmente
ignorado pelo então Presidente(?!) Geisel. Morreu sem resposta e
ignorado totalmente pelos novos gorilas de plantão. No mesmo movimento
contra a barbárie estava também o honrado Marechal Cordeiro de
Farias,também ignorado pelos torturadores de plantão.
Um curiosidade: depois da queda por podridão do golpes,meu pai já Maj
Brigadeiro, foi eleito pelo Instituto Histórico da Aeronáutica(INCAER)
na cadeira do brig Nero Moura.
Foi feita uma eleição para decidir quem seria o Patrono da
Aeronáutica, vaga entre Eduardo Gomes e o Brigadeiro Casemiro
Montenegro um homem integro responsável pela criação da da Industria
Aeronáutica Brasileira e hoje Patrono da Industria Aeronáutica
Brasileira.
O voto do pai,para surpresa de todos, foi para Eduardo Gomes com a
seguinte justificativa: ” voto no homem criador do CAN e na manutenção
do território brasileiro e a manutenção da autoridade do Brasil nas
bases do nordeste, daí a razão do meu voto.
Sua atuação como homem político, que sempre rejeitei, fica para a
história julgar.”
O CAN não pode e não deve ser julgado por atuações torpes de monstros
e tarados uniformizados.
Vamos ao Parasar – uma unidade de elite de resgate e salvamento em
qualquer parte, inclusive no mar e qualquer canto do território
brasileiro.
A idéia e execução do PARASAR foi do então Tenente Sergio
Macaco,oficial de infantaria da FAB. A FAB não possuía nenhuma unidade
de Resgate e Salvamento,procurou meu pai em 1962/63 pediu sua ajuda
para marcar uma reunião com alta cúpula da FAB, pedido conseguido
sucesso em sua explanação e por fim a ordem da criação da unidade.
Foram centenas de missões e em todas sucesso total. Em relação aos
índios ,a unidade, era adorada e já como capitão, Sergio Macaco ,era
quase um deus para os índios e amigo pessoal de Orlando Villas Boas.
O Parasar operava com a ajuda da seção de transporte, desde sua
criação nas mãos de Eduardo Gomes, não possuía pilotos e nem
aviões,seus componentes eram da infantaria da FAB e soldados de elite
– podendo ser comparado com as unidades tipo SEALS e cia, com um
porém, para missões de resgate e salvamento.
A missão de caça e bombardeio são exercidas por pilotos de combate e
aviões de combate ou adaptados- não era o caso do PARASAR –
totalmente inadaptada e sem os meios de exercer a tal tipo de missão
bombardeio.

Os membros do PARASAR devido ao seu treinamento podem e até devem ser
usados em caso de confronto externo,tanto para missões de resgate e
salvamento, como também de combate.
Já muito doente de um terrível e injusto câncer do intestino, um mês
depois viria a falecer, Sergio convidou meu pai,Apolônio de Carvalho e
Kardec Lemme, três ex combatentes da segunda guerra, à sua casa no
Recreio dos Bandeirantes , lógico que entrei no grupo como penetra,
testemunhando 4 ou 5 histórias fantásticas narradas pelo então cel
Sergio Macaco( cel pela lei da anistia da ditadura de 1979)
relembrando, o STF, promoveu Sergio Macaco a Brigadeiro do Ar ainda
vivo. Infelizmente o então Presidente Itamar Franco pressionado pelo
gorilas da aeronáutica e ainda remanescentes do burnierismo, não
assinou a promoção só o fazendo após a morte do Sergio uma semana
depois.
Itamar Franco depois confessava em publico sua fraqueza,falta de
comando e autoridade de com profunda mágoa e tristeza da sua falha
imperdoável.
Vamos a história do Sergio, as outras, serão contadas pela professora
Maria Manuela no seu livro e pós doutorado do Capitão Brigadeiro
Sergio Macaco , o Capitão que disse Não! ( o posto de capitão
brigadeiro não existe foi uma criação justa do nosso Ziraldo).
“Você três são heróis e combatentes na segunda guerra(pai,Apolônio e
Kardec Lemme) combateram o bom combate e mataram gente,não sou anjo
como pensam,já matei também…”
Com essa declaração a atenção que era total virou surpresa,continuando.
“Estávamos numa missão em apoio a FUNAI,aos índios e a pedido do nosso
Orlando Villas Boas,cumprida a missão fui brincar num igarapé com 5
meninos índios , tomávamos banho e aquela zoeira, quando estava ali me
transformava em criança também.Senti um tremor e fui projetado
longe,ao acordar fui saber do acontecido,5 homens a serviço de uma,
multinacional ou latifundiário, com objetivo de obter as terras dos
índios,lançou uma ou duas bananas de dinamite, o resultado trágico, 4
crianças mortas e uma ferida gravemente, tinha perdido umas das pernas.
“Quanto a mim (nos mostrou o braço, uma cicatriz enorme do começo do
ombro até o pulso, por pouco perdia o braço), me costuraram e o DOC,
apelido do médico do PARASAR e ainda vivo pode testemunhar o relato.
” Enquanto DOC me remendava contou o acontecido,5 homens e duas ou
três balsas surgiram,jogaram as bananas de dinamite e fugiram rio
abaixo. Pedi um avião(tipo teco teco) coloquei meu paraquedas,armado
de uma FAL (fuzil de assalto) e duas granadas de mãos.
O DOC se apresentou para ir e dei-lhe ordens exclusiva de socorrer os
feridos, a ação seria a minha e apenas minha.
Sabíamos que o rio alguns quilômetros tinha uma queda d´água(algo
assim) e os caras teriam que retirar as balsas, ir para terra e
novamente entrarem no rio.
Do alto localizamos as balsa e mais adiante a queda d´água,saltei de
paraquedas me preparando para a campana mais adiante. Até chegar ao
local, devido ao ferimento,acredito que desmaiei 2 vezes.
Preparei a FAL e as granadas, chegaram os 5 , fizeram o que tinham de
fazer, saltaram das balsas e neste momento lancei as granadas –
resultado da ação – 4 mortos e um ferido gravemente e sofrendo bastante.
Nada podia fazer para socorrer o criminoso e assim como um bom
cristão,rezei 3 Padres Nossos e 3 Ave Marias descarregando a FAL
sobre o FILHA DA PUTA!!!algumas horas depois os índios fizeram o resto
– desapareceram com os filhos da puta.Viu gente, não sei se agi certo
mas virei matador também!!
Pai,Apolônio e o Kardec Lemme incontinenti apoiaram a ação dizendo –
“Sergio estávamos numa guerra em território estrangeiro numa guerra em
que fomos atacado, você fez uma guerra na defesa tanto do território
brasileiro como da população brasileira e indígena,você agiu com
bravura agiu como um verdadeiro soldado. Quanto aos FILHOS DA PUTA
que outro destino dar? um fim mais que justo merecido e ainda com 3
Padres Nossos e 3 Aves Maria” aí já em tom de blague.
Querida Antonia, o bombardeamento dos guerrilheiros do Araguaia, dos
índios e finalmente jogar corpos no mar – certeza absoluta – ações
nunca cometidas pelo PARASAR – tais atos jamais seriam cometidos pela
unidade – ali não existiam criminosos, quanto a MORTE FOI DADO UM NÃO,
VIGOROSO E DECIDIDO, PELO SEMPRE PRESENTE SERGIO MACACO!!!
Beijos e abraços a todos da Geração 68
Pedro Luiz
PS – caso desejam enviar corrigir os possíveis erros de português,não
fiz a revisão.

PHODA 3 – ESTE É DE LASCAR!

PORQUE PAULO FREIRE NA MANIFESTAÇÃO DA DIREITA    ?
Texto de Pedrinho Guareschi
Essa foto é extremamente significativa e ilustrativa, pois vem demonstrar, com uma clareza extraordinária, duas coisas importantes:
1. Fico me perguntando: por que Paulo Freire? E faz todo o sentido. O que está acontecendo no Brasil não é contra algum problema econômico, político, ou contra corrupção, ou contra partido: é uma reação contra um PROJETO. E esse projeto é o que Paulo Freire significa. Como as coisas estão ficando claras! Esse projeto é contra uma pessoa que dizia que ‘não há um que sabe mais, ou menos: há saberes diferentes”. A classe dominante, a Casa Grande – e todos os que hoje representam essa classe: as elites, a grande mídia, os grandes latifundiários, os banqueiros, e, infelizmente, as pessoas que se deixaram contaminar pelas ideias deles, os dos bairros ricos que bateram panelas, os que aceitam os valores da Globo e da Grande Mídia, os que leem a Veja, etc.etc. – NÃO PODEM ACEITAR UM PROJETO ASSIM, DE IGUALDADE, FRATERNIDADE, RESPEITO, onde todos os saberes tem de ser respeitados, onde não há uns que são mais que os outros, etc. E a Dilma, o Lula, a Luciana, a Maria do Rosário, a Manoela, o Rosseto, o Tarso, a Erundina, etc.etc. são gente que pensam assim, gente que se formou e se criou dentro desse ‘pensamento’ igualitário, fraterno, respeitoso, democrático de Paulo Freire. Paulo Freire representa uma verdadeira transformação, uma revolução qualitativa. Todos esses “beberam” do pensamento de Freire. E, além do mais, Freire é nordestino, foi um dos fundadores do PT e sempre defendeu os movimentos sociais, a começar pelos Sem Terra. Se alguém duvidar disso, veja o filme que Freire gravou 15 dias antes de morrer, In Memoriam, onde ele fala das ‘marchas’. Dizer que Freire tem algo a ver com marxismo é ignorância crassa. Paulo Freire representa o genuíno pensamento igualitário e respeitoso de nossa América Latina.

2. Esse cartaz – impressionante! – mostra contra quem mesmo eles estão “revoltados”, indignados. Assim eles se traem. E mostra como Paulo Freire é mesmo um divisor de águas!!! Isso me convence sempre mais do que sempre digo – e repito sempre que posso: quem LEVA A SÉRIO A FRASE DE PAULO FREIRE – que não há um que sabe mais ou menso, há saberes diferentes – se for coerente, TEM DE MUDAR SUA VIDA!!! Tudo toma outra dimensão. A prática cotidiana – na família, na escola, na rua, no trabalho, nas relações de gênero, na igreja, TUDO, tem de mudar.

Fico feliz em ver isso comprovado! Isso é ótimo. Então: tudo o que vem se dizendo: corrupção, Petrobrás, etc.etc. é tudo mistificação, é para desviar dessa outra questão, QUE É A NECESSIDADE DE SE TER UMA DEMOCRACIA VERDADEIRA, DE IGUALDADE, DE RESPEITO, QUE PAULO FREIRE REPRESENTA!
Que fantástico ver isso! Não precisa argumentação melhor! Nunca um cartaz pode deixar transparecer os verdadeiros motivos de porque não se aceita UM NOVO PROJETO para nossa sociedade!

Viva Paulo Freire! Viva o Brasil pelo qual Freire deu sua vida.

Roma, La Sapienza, 15 de março de 2015 às 19h.

Abraços a todos,

Pedrinho Guareschi

É PHODA 2!!! com PH mesmo!

Rodrigo Lopes: Apreensão de cocaína gerou confronto Globo x Abi-Ackel

publicado em 24 de outubro de 2014 às 21:44

Captura de Tela 2014-10-24 às 18.16.58

por Rodrigo Lopes, especial para o Viomundo

Um livro a ser lançado nas próximas semanas promete abalar a relação entre o senador Aécio Neves (PSDB) e as Organizações Globo.

Trata-se da biografia autorizada de Ibrahim Abi-Ackel, ex-ministro da Justiça do governo João Figueiredo. Ele ocupou o cargo entre 1980 e 1985.

A obra, Ibrahim Abi- Ackel, Uma Biografia, escrita pela jornalista Lígia Maria Leite e prefaciada pelo senador Aécio Neves, diz que malotes da Rede Globo enviados para sucursal no exterior transportavam drogas.

Sete vezes deputado federal, entre 1975 e 2007, Abi-Ackel sofreu acusações no Jornal Nacional, em 1983, quando era ministro da Justiça, fruto de um confronto nos bastidores com o dono das Organizações Globo.

O livro dedica 10 páginas ao episódio.

Na página 359 o livro sustenta que a campanha promovida por Roberto Marinho contra Abi-Ackel nasceu de um engano do empresário, que acreditava que o ex-ministro havia determinado a apreensão de cocaína em malotes da emissora.

Leia a página:

Captura de Tela 2014-10-24 às 21.14.21

O texto atribui ao ditador João Figueiredo a seguinte explicação: “A campanha do Roberto Marinho contra o ministro Ibrahim Abi-Ackel se deveu a um engano do senhor Roberto Marinho. Os malotes da Rede Globo para Nova Iorque serviram de transporte para cocaína. A Polícia Federal apreendeu dois desses malotes e o Roberto Marinho nunca perdoou o Abi-Ackel, porque pensou que foi ele que mandou fazer a apreensão. Esse foi o motivo”.

Em 1983, depois que o norte-americano Mark Lewis foi preso na alfândega dos Estados Unidos com pedras preciosas brasileiras avaliadas em U$ 10 milhões, os ataques ao ministro no Jornal Nacional começaram.

Em mais de uma reportagem, a Globo acusou Abi-Ackel de envolvimento com o contrabando de pedras preciosas, o que nunca foi provado.

A biografia autorizada de Abi-Ackel foi financiada através da lei Rouanet de incentivo fiscal e recebeu patrocínio da estatal de energia elétrica Cemig e do Governo de Minas. No prefácio da obra, Aécio Neves enaltece a vida pública do colega de Câmara dos Deputados.

Captura de Tela 2014-10-24 às 21.14.08

“Fomos deputados, ele repetidamente mencionado entre os dez parlamentares mais influentes do Congresso”, diz o texto (leia um trecho acima). Mais adiante, depois de listar as qualidades de Abi-Ackel: “Foram essa qualidades que me fizeram recorrer a ele, como governador, em 2006, para o comando da Secretaria de Defesa Social de Minas Gerais, onde conduziu um trabalho exemplar”, destaca Aécio.

Quando Abi-Ackel foi inocentado das acusações que sofreu da Globo, a Folha de São Paulo noticiou:

Ackel é inocente no caso das turmalinas

por JOÃO BATISTA NATALI

Foi na manhã de 29 de março de 1985. A alfândega do aeroporto de Miami apreendeu um carregamento de águas-marinhas, esmeraldas, topázios e turmalinas.

O portador das pedras, Mark Lewis — cidadão norte-americano, na época morador em Anápolis (GO) — não conseguiu documentar ser dono do carregamento. Foi o estopim do chamado “escândalo do contrabando de pedras preciosas”, em que o ex-ministro da Justiça Ibrahim Abi-Ackel (1980-85) teve seu nome envolvido, sem que sua participação seja objeto de qualquer evidência.

Ainda corre hoje na Câmara pedido para abertura de processo contra o ex-ministro por peculato, por conta de acusação contra seu filho, Paulinho. O filho teria mantido escritório de advocacia em que protelava extradições ou obtinha vistos de residente para estrangeiros que dependiam do arbítrio do gabinete de seu pai.

“Eu fui o bode expiatório. Não era militar e também não tinha mandato”, disse à Folha o hoje deputado Abi-Ackel (PPB-MG). Sua suposta ligação com as pedras apreendidas é das mais tortuosas.

Lewis era apenas uma “mula” (portador). As pedras pertenciam em verdade a Antonio Carlos Calvares, dono da Embraima (Empresa Brasileira de Mineração, Importação e Exportação), em Goiânia.

Calvares procurou o ex-ministro, que voltara a advogar. Pediu que ele intercedesse em sua defesa. Deu-lhe uma procuração, que foi apresentada por um advogado norte-americano, Charles Hayes, como prova de que Calvares e Abi-Ackel eram sócios no contrabando.

Hayes disse isso em entrevista no “Jornal Nacional”, da Rede Globo. A Folha apurou que na época eram tensas as relações entre a Globo e Abi-Ackel. Hoje, o ex-ministro prefere não falar sobre essa dimensão do assunto. A Folha procurou Hayes, mas não há pistas dele.

Outro personagem-chave na história foi um delegado da Polícia Federal, Mário Machado Filho, que instruiu o inquérito em Goiânia. Ele se aposentou e hoje mora em Aracaju (SE). Disse à Folha ter tido a impressão de que Calvares, para se dar ares de importância, simulou um grau de familiaridade com o ministro que nunca possuiu. Um caso de mitomania.

Foi essa uma das conclusões que o delegado remeteu à sede da PF, em Brasília. O inquérito foi arquivado. Sem inquérito, não houve tampouco motivo para processo judicial.

Calvares destacou para falar com a Folha um dos executivos da Embraima que se apresentou como seu sobrinho. Para este, o caso já rendeu para a família “US$ 150 milhões” em indenizações por difamação, pagas por jornais norte-americanos.

No plano judicial, o que houve de concreto foi um “grand jury” em novembro de 1986 em Lexinton, Estado de Kentucky, para apurar responsabilidades de norte-americanos e estrangeiros no contrabando de pedras brasileiras.

Abi-Ackel não foi em nenhum momento citado por dar cobertura ou como responsável direto pelo tráfico.

É PHODA!!! com PH mesmo!!!

25/02/2015

ANO DE 1987. EX-PRESIDENTE FIGUEIREDO FALOU SOBRE TRÁFICO E CONTRABANDO NA REDE GLOBO

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FIGUEIREDO FALOU DO TRÁFICO DE DROGAS E CONTRABANDO NA REDE GLOBO

17 de Janeiro de 2000 / Tribuna da Imprensa

A Rede Globo omitiu das declarações do ex-presidente brasileiro Figueiredo, gravadas em vídeo durante um churrasco em 1987, as partes mais contundentes referentes à Rede Globo.

Figueiredo fala da campanha que se moveu contra o então ministro da Justiça, Abi Ackel. A Polícia Federal (brasileira), comandada por Ackel, fez uma batida em contâiners da Globo para investigar o tráfico de drogas, mas descobriu um contrabando milionário de equipamentos para a emissora.

Como o material foi apreendido, o ministro começou a sofrer uma campanha difamatória das mais contundentes que já se viu na imprensa brasileira. Ibrahin Abi Ackel pode não ser uma vestal, mas foi destruído não por causa de seus erros, mas por meter o bedelho nos negócios escusos do Roberto Marinho.

Nos últimos anos toda a imprensa brasileira, liderada pela Rede Globo, iniciou uma grande campanha cujo objetivo é, supostamente, combater o uso de drogas, mas com a colocação deste assunto em evidência de forma tão contundente e permanente – sobretudo na televisão – é difícil saber se esta campanha está combatendo ou incentivando o tráfico e o consumo de drogas. Qual é a sua opinião?

No trecho da gravação em que Figueiredo fala do Roberto Marinho à Rede Globo, seguida pela quase totalidade da imprensa brasileira (imprensa esta que está nas mãos de um único grupo, constituído por poucas pessoas) limitou-se a reproduzir:

“É o dono da opinião pública no Brasil. Faz o ministro das Comunicações. Muda quem ele quiser. No dia em que ele quiser virar contra o governo, o governo cai. Ele brigou comigo porque não dei uma estação de rádio ou uma estação de televisão a ele. Não vou dar porque já tem demais. Vou criar três redes. Criei a Rede Manchete, criei o Sílvio Santos, criei a Bandeirantes”. (João Batista de Figueiredo, 1987)

A veiculação deste trecho das declarações não foi feita com o objetivo de criticar o dono da Globo, mas bajular o Roberto “todo poderoso ” Marinho e dizer aos brasileiros que até o Figueiredo sabia que o Marinho mandava neles (nos brasileiros).

O presidente das Organizações Globo negou, segundo o jornal “O Globo” e o programa “Fantástico”, da Rede Globo de Televisão, que tivesse pedido canal de televisão ou rádio a Figueiredo e também desmentiu que tivesse recebido dos governos militares concessões para operar emissoras, mas Roberto Marinho esqueceu de explicar como a Rede Globo de Televisão, fundada em 1965 – no ano seguinte ao golpe militar (orquestrado pelos norte-americanos) ocorrido no Brasil – pôde iniciar as suas transmissões se ele, Marinho, não ganhou a concessão dos ditadores brasileiros.

Vale lembrar que em 1965 as concessões para emissoras de televisão eram privilégio do presidente da república brasileiro,que só fornecia a amigos muito íntimos da ditadura. Ou será que a autorização para o funcionamento da TV do Roberto Marinho veio direito de Washington?

Figueiredo também criticou Leonel Brizola, citando duas supostas conversas sobre a reforma agrária. Brizola disse que esse diálogo não existiu e atribuiu as declarações do ex-presidente a suposto abuso do uísque ou do chope, durante o churrasco,mas segundo o “Fantástico”, Brizola declarou que “Figueiredo era muito brincalhão”.

É um tempo de guerra é um tempo sem sol!

Sim a nossa presidenta esta acuada e muito.
> Isolada no Palácio e com áulicos ao seu redor fornecendo informações –
> certas ou erradas?estratégias certas ou erradas?
> Estamos fora dos Palácios e sem saber quais as informações e estratégias
> circulando em torno da Presidenta.
> Temos as nossa informações do dia a dia das ruas – estamos acuados também!
> “Vocês são petistas,comunistas e corruptos” de onde provém? dos Leblons e
> Jardins do Brasil afora.
> Não há outra saída – CONFRONTO! amigos contra amigos,irmãos x irmãos e por
> aí adiante.
> Não exite convencimento o ódio tomou conta.
> Assustante? MUITO! mas o quadro é esse.
> A nossa Presidenta com suas informações certas ou erradas,estratégias certas
> ou erradas – torçamos que sejam as CERTAS.
> Nós? apenas uma saída – O CONFRONTO – Onde for – na fila do cinema se o
> assunto surgir,na praia,em almoços de famílias, em bar com amigo e nas ruas
> de apoio ao governo.
> Ser provocado e não reagir – educação?amigo?família? quantas vezes fomos
> provocados – “vocês petistas e esquerdistas,são fodas…e por aí vai”
> “Foda é o CARALHO” é a minha resposta no ato daí pra frente – o ambiente
> fica pesado,ruim pacas e daí – EDUCAÇÃO DE UM LADO SÓ?
> Não temos a Lei da Imprensa,reforma Agrária e Urbana Tímidas,os Índios
> Sofrendo e muito mais ainda.
> Vamos nos reunir entre nós – “temos que ter uma leis dos médios assim e
> assado…LEI DOS MÉDIOS É O CACETE!!! LEI DA IMPRENSA,PORRA!
> Vamos nos reunir entre nós – “temos que defender os índios assim e assado”
> Vamos nos reunir entre nós ” vamos reler Marx e diante disso o marxismo numa
> nova ótica…”
> Vamos nos reunir e principalmente eleger qual de nós – o mais esquerda,o
> mais inteligente,o mais charmoso – PORRA GENTE – NOSSO TEMPO DE “MAIS MAIS”
> ACABOU – O TEMPO AGORA É PASSAR NOSSA EXPERIÊNCIA PARA A GAROTADA E COM O
> QUE PODEMOS DAR, FISICAMENTE, JUNTO COM ELES!
> A estratégia a passar – como resistir nas nas ruas e como resistimos.
> A rua sempre foi nossa e não dos COXINHAS e BATMAN!
> Vamos nos REUNIR – no Rio,em Pernambuco,em Sampa,RGS e onde estiver a
> Geração 68 – sem PORRAS de autocríticas,sem PORRAS de MARX e cia –
> simplesmente AÇÃO.
> Sem PORRALOUQUICES DIREITISTAS dos PSOIS e Marinismo – deixar a defensiva e
> atacar também.
> Reunir para tomar chopp, aniversário ou saudades de um companheiro – fica
> para depois tá?
> “É um tempo de guerra é um tempo sem sol”
> Pedro Luiz Moreira Lima
>

Marcha golpista do ódio

Deputados Bolsonaro convocam para manifestação pelo impeachment de Dilma 

blog - jair bolsonaroDeputado federal Jair Bolsonaro, do PP, aquele partido… – Foto Antônio Araújo/UOL

Mario Magalhães/blog

Os deputados federais Jair Bolsonaro (PP-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PSC-SP) estão convocando para a manifestação do próximo domingo a favor do impeachment da presidente constitucional Dilma Rousseff.

O pai diz, no Facebook: “Eu, Jair Bolsonaro, como cidadão, estarei presente no movimento do próximo dia 15 de março. Apelo a você, brasileiro: não deixe chegar à situação que chegou a Venezuela para tomar uma providência. Daí pode ser tarde demais. O Brasil é nosso, quem tem que sair daqui são eles. Dia 15, todos juntos. Brasil acima de tudo”.

O filho conclama: “Aos amigos de São Paulo, confirmo a minha presença no dia 15 de março na manifestação contra o governo federal, que bate recordes de corrupção. […] Se tiramos o Collor por muito menos, com Dilma não será diferente. Algo tem que ser feito”.

Nem o mais eficiente malabarismo retórico impede a constatação do óbvio: quem desfraldar no domingo a bandeira do impeachment estará ao lado da família Bolsonaro.

O pai integra o PP, partido com mais parlamentares cuja investigação no âmbito da Lava Jato foi pedida pelo procurador-geral geral da República ao Supremo Tribunal Federal.

O filho compareceu armado, em 2014, a um ato pró-impeachment.

Em outubro do mesmo ano, a maioria dos eleitores escolheu Dilma para um segundo mandato.

__._,_.___

Enviado por: Arthur Poerner <arthurpoerner@gmail.com>

E se fossem os russos?

E se fossem os russos?
4/3/2015, Mauro Santayanna —http://www.maurosantayana.com/2015/02/e-se-fossem-os-russos.html
(Hoje em Dia) – O advogado e blogueiro Pettersen Filho reproduz, em seu blog, anúncio da embaixada dos EUA, recrutando jovens “líderes” brasileiros, como “bolsistas”, com a seguinte mensagem:

“O Departamento de Estado dos EUA, por meio do Atlas Corps – uma rede internacional de líderes sem fins lucrativos, tem o prazer de anunciar oportunidades para líderes emergentes da sociedade civil para obter bolsas de estudos de 6 a 18 meses nos Estados Unidos. Interessados em se candidatar devem ter de 2 a 10 anos de experiência trabalhando em alguma ONG, nível universitário, até 35 anos de idade e fluência na língua inglesa… 

Os bolsistas selecionados serão inseridos em uma organização renomada na área social nos Estados Unidos. Despesas com passagem aérea, visto de entrada nos EUA, seguro saúde, alimentação, transporte local e acomodação partilhada serão totalmente custeadas. Informações sobre o programa e como se candidatar estão disponíveis no site:http://apply.atlascorps.org.” [em http://portuguese.saopaulo.usconsulate.gov/press-releases/atlascorps.html

Não bastando trazer ONGs de fora, ou criar, aqui mesmo, organizações que se infiltram nos mais diferentes segmentos da sociedade brasileira – e, como lembra Pettersen – estão especialmente ativas na Região Amazônica, os EUA seguem firmes em sua permanente estratégia de cooptação de jovens “líderes” locais de todo o mundo, por meio de organizações de fachada, ou “associadas”.

A esperança é a de que eles, em seu retorno, espalhem o que “aprenderam” e atuem na defesa dos interesses norte-americanos. 

Melhor, ainda, se, no futuro, alguns chegarem a posições proeminentes em seus respectivos países, para, como reza o slogan do AtlasCorps, “mudar sua perspectiva e mudar o mundo” – como aconteceu, com certeza, ao menos quanto à primeira metade da frase, com um jovem sociólogo brasileiro, financiado, nos anos 1960 – como lembrou em artigo o jornalista Sebastião Nery – pela Fundação Ford, com expressiva quantia para fundar uma organização chamada CEBRAP, muitos anos antes de chegar à Presidência da República.

Se fossem os russos e os chineses – parceiros do Brasil no BRICS – ou os cubanos – conhecidos por seu envolvimento em causas humanitárias, como o combate ao Ebola – que publicassem por aqui anúncio semelhante, dá para imaginar como seria o alarido fantasioso e anacrônico, “anticomunista” e “anti-bolivariano”, dos hitlernautas brasileiros, nos portais e redes sociais. 

Mas como se trata dos EUA – prestes a estrear, nos cinemas nacionais, nova campanha de lavagem cerebral, com o filme “American Sniper” – nação “libertadora” do Iraque, da Líbia e da Síria, países em que suas guerras e “primaveras” deixaram milhões de mortos e refugiados e que estão entregues agora a terroristas originalmente armados pelos próprios EUA para combater quem estava no poder anteriormente – o assunto, com exceção de alguns sites da “blogosfera”, quase passa em brancas nuvens por aqui.

Juca Kfouri – Excelente comentário.

Juca Kfouri: O panelaço da barriga cheia e do ódio

Nós, brasileiros, somos capazes de sonegar meio trilhão de reais de Imposto de Renda só no ano passado. Como somos capazes de vender e comprar DVDs piratas, cuspir no chão, desrespeitar o sinal vermelho, andar pelo acostamento e, ainda por cima, votar no Collor, no Maluf, no Newtão Cardoso, na Roseana, no Marconi Perillo ou no Palocci.
O panelaço nas varandas gourmet de ontem não foi contra a corrupção. Foi contra o incômodo que a elite branca sente ao disputar espaço com esta gente diferenciada que anda frequentando aeroportos, congestionando o trânsito e disputando vaga na universidade.
Elite branca que não se assume como tal, embora seja elite e branca. Como eu sou. Elite branca, termo criado pelo conservador Cláudio Lembo, que dela faz parte, não nega, mas enxerga.
Como Luís Carlos Bresser Pereira, fundador do PSDB e ex-ministro de FHC, que disse:
“Um fenômeno novo na realidade brasileira é o ódio político, o espírito golpista dos ricos contra os pobres. O pacto nacional popular articulado pelo PT desmoronou no governo Dilma e a burguesia voltou a se unificar. Surgiu um fenômeno nunca visto antes no Brasil, um ódio coletivo da classe alta, dos ricos, a um partido e a um presidente. Não é preocupação ou medo. É ódio. Decorre do fato de se ter, pela primeira vez, um governo de centro-esquerda que se conservou de esquerda, que fez compromissos, mas não se entregou. Continuou defendendo os pobres contra os ricos. O governo revelou uma preferência forte e clara pelos trabalhadores e pelos pobres. Nos dois últimos anos da Dilma, a luta de classes voltou com força. Não por parte dos trabalhadores, mas por parte da burguesia insatisfeita. Quando os liberais e os ricos perderam a eleição não aceitaram isso e, antidemocraticamente, continuaram de armas em punho. E de repente, voltávamos ao udenismo e ao golpismo.”
Nada diferente do que pensa o empresário também tucano Ricardo Semler, que ri quando lhe dizem que os escândalos do mensalão e da Petrobras demonstram que jamais se roubou tanto no país.
“Santa hipocrisia”, disse ele. “Já se roubou muito mais, apenas não era publicado, não ia parar nas redes sociais”.
Sejamos francos: tão legítimo como protestar contra o governo é a falta de senso do ridículo de quem bate panelas de barriga cheia, mesmo sob o risco de riscar as de teflon, como bem observou o jornalista Leonardo Sakamoto.
Ou a falta de educação, ao chamar uma mulher de “vaca” em quaisquer dias do ano ou no Dia Internacional da Mulher, repetindo a cafajestagem do jogo de abertura da Copa do Mundo.
Aliás, como bem lembrou o artista plástico Fábio Tremonte: “Nem todo mundo que mora em bairro rico participou do panelaço. Muitos não sabiam onde ficava a cozinha”.
Já na zona leste, em São Paulo, não houve panelaço, nem se ouviu o pronunciamento da presidenta, porque faltava luz na região, como tem faltado água, graças aos bom serviços da Eletropaulo e da Sabesp.
Dilma Rousseff, gostemos ou não, foi democraticamente eleita em outubro passado.
Que as vozes de Bresser Pereira e Semler prevaleçam sobre as dos Bolsonaros é o mínimo que se pode esperar de quem queira, verdadeiramente, um país mais justo e fraterno.
E sem corrupção, é claro!
(Artigo inicialmente publicado no Blog do Juca)

Luta sem tréguas pela legalidade.

A Luta sem Tréguas pela Legalidade!

Querida Mara:
Estou contigo e não abro!!! os auto críticos daqui se enterrem no
Convento das Carmelitas e não encham o saco!!!
A luta pela LEGALIDADE CONTRA O GOLPE É AGORA!!! não podemos contar
infelizmente com o Tortura Nunca mais preferiu o silêncio e virar o
Tortura Nunca MAS,PORÉM,TODAVIA,ENTRETANTO.Infelizmente,para mim,uma
questão de ressentimentos pelas ainda omissões da Guerrilha do
Araguaia,a estafante revisão da Anistia aos Torturadores de 1979 e de
tantos outros crimes contra a humanidade ainda não enfrentados.As
associações de militares cassados e não anistiados na mesma situação,
com ressentimentos e pasmem votaram em Aécio achando que com ele as
mudanças viriam.
São ressentimentos mais do que explicáveis e compreensíveis mas tudo é
um PROCESSO POLÍTICO, NÃO GANHAMOS O PODER POR UM PROCESSO
REVOLUCIONÁRIO SIM POLÍTICO.
Teremos diversos e graves embates pela frente tanto nos PODERES
POLÍTICOS como nas RUAS – nas RUAS devemos se preparar para o pior com
repressão e MORTES – a luta nas ruas sempre foi e será assim.
Não sou,nunca foi e nunca serei líder,comandante de ação e
estratégia,no entanto,analista sempre,modéstia à parte, dos bons.
Chega de encheção de saco – autocríticos e ressentidos – a HORA DE LUTA.
Abraços.
Pedro Luiz

Fernando brito,PHA e aos raros resistentes EVOÉS MERECIDOS!!!

Dr. Moro, o senhor está dizendo que o STF pode ser corrompido?

18 de fevereiro de 2015 | 23:49 Autor: Fernando Brito

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Registrou-se alguma tentativa de interferência do Ministro da Justiça sobre o Sr. Dr. Juiz Sérgio Moro?

Acaso José Eduardo Cardozo telefonou-lhe pedindo para “aliviar” alguém?

Seu trabalho – que não é o de acusar, mas o de julgar – foi obstaculizado por alguma ação do Ministério da Justiça?

Não.

Então, Dr. Moro, o senhor está cometendo os maiores pecados que pode praticar um Juiz.

O de falar sobre o que está fora do processo judicial aos seus cuidados.

Referir-se aos advogados dos réus como “emissários dos presos” é fazer uma redução criminosa do papel da advocacia.

Pretender que eles não possam discutir o procedimento do juízo e, até, suas decisões – desde que as cumpram – é manifestar uma visão autoritária da Justiça, própria dos absolutistas, que consideram o exercente do poder algo próximo de Deus, sobre quem não se permite dúvida ou discordância.

Coisa de tiranos, não de homens da Justiça.

O senhor, por acaso, tem a seu lado o acocoramento do espírito da liberdade que, um dia, já ficou de pé neste país.

Dizer que é necessária a manutenção de uma prisão preventiva para  “preservar a integridade da Justiça contra a interferência do poder econômico” é o mesmo que dizer que as instâncias judiciais acima da sua – porque, certamente, só o que erode sua independência é  o arreganho autoritário que lhe acompanha o narcisismo – são corruptíveis.

No caso, o Supremo Tribunal Federal.

É a ele que o senhor acusa de estar sujeito à “interferência do poder econômico”.

Mais especificamente,  chama de corruptível ao Ministro Teori Zavaski, a quem cabe apreciar, em segunda instância, suas decisões?

Porque é essa a exegese de suas palavras desabridas.

O senhor acha que o Ministro da Justiça, que não tomou sequer a providência de mudar a equipe de delegados que se refestelaram nofacebook em politicagem eleitoral, vai ser portador de pressões econômicas sobre os ministros do Supremo?

Porque é o Supremo, e  só ele, quem pode revogar suas decisões.

Se em relação a Cardozo é um delírio, em relação aos integrantes do STF é uma ofensa.

O senhor está fazendo, na prática, uma acusação à honra dos ministros do STF que, se tiverem brio, hão de lhe chamar às falas mediante simples representação.

Infelizmente, brio parece estar mais escasso no Brasil do que as chuvas.

Mas, apesar do avassalamento dos caráteres, haverá pessoas do povo, simples como eu, a perguntar-lhe: afinal, Dr. Moro, a quem o senhor está chamando de corruptor e de corrupto, além dos réus a quem o senhor, generosamente  – depois de te-los chamado de “bandidos profissionais” já perdoou-

A quem o senhor diz que haveria a malsinada “interferência do poder financeiro”?

Eta Advogada batuta e corajosa!!!

O golpe articulado pelo Moro e pela Grande Mérdia não vingará! mas se o impossível ocorrer – a tradição de Modesto da Silveira e tantos outros ADVOGADOS NA DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS continuará , caso preso estarei em excelentes mãos,não dos algozes tipo Moro e cia mas nas mão dessa doce,batuta e corajosa advogada!

Pedro Luiz

Advogada lança a luva aos histéricos: por que não me perguntaram o que tratei com Cardozo

19 de fevereiro de 2015 | 10:50 Autor: Fernando Brito

juiz

Se existissem frades entre os jornalistas brasileiros, estariam todos corados com o artigo publicado hoje pela advogada Dora Cavalcanti, sócia do escritório  sócia do escritório Cavalcanti & Arruda Botelho – Advogados e defensora de alguns presos da Operação Lava-Jato.

Por causa de uma simples afirmação, contida no texto: “não posso deixar de estranhar o fato de que nem um único jornalista me procurou para falar sobre a audiência que tive no Ministério da Justiça em 5 de fevereiro”.

Audiência que, apesar de constar da agenda pública do Ministro, foi tratada por Joaquim Barbosa e pelo próprio juiz Sérgio Moro como uma criminosa tentativa de interferência espúria no Judiciário.

Dora faz, num artigo, os esclarecimentos e informações que não lhe pediram e não ouviram.

Isso, em si, é uma vergonha para os jornalistas.

Dora, desde jovem, é uma advogada que se notabilizou pelo empenho em defender o direito à defesa.

Muito antes desta história toda, um jornalista – Gilberto Dimenstein – da mesma Folha que a aponta como suspeita de “trafico de influência” falou sobre ela, contando a história de como uma jovem advogada, de apenas 25 anos, agia.

“Gilvan Lino de Araújo nunca tinha cometido um crime, quando, aos 25 anos, quebrou a janela de um carro e furtou “Ninguém é de Ninguém”, livro da escritora espírita Zibia Gasparetto e levou junto uma malha usada. Naquele momento, virou mais um personagem de romance de terror urbano.

Preso, acabou numa delegacia da zona norte, sem tempo nem de ler o livro. Uma jovem advogada, Dora Cavalcanti, soube do caso e tentou libertá-lo. Argumentou com o juiz que aquele furto não era motivo para deixar alguém enjaulado. Recebeu o apoio do promotor público, mas o juiz se manteve irredutível.

Poucos dias depois da recusa do juiz, Gilvan Lino morreu, degolado na delegacia, em outubro de 2001″

É a mesma mulher que escreve hoje, para a vergonha daqueles que fazem da histeria a sua maneira de julgar.

De ministros e ministros

Dora Cavalcanti

Em meio aos festejos de Carnaval, o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa resolveu vociferar contra o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, reputando incompatível com a ética do cargo sua atitude de receber advogados de empresas investigadas na Operação Lava Jato.

O comentário não chega a surpreender dado o histórico do ex-presidente do Supremo, avesso ao direito de defesa, nele incluídos os advogados e sua obrigação profissional de zelar pelo respeito às garantias individuais do cidadão.

Como bem disse o jornalista Ricardo Noblat, mereceria ser lido apenas como “flor do recesso”, típica dos períodos de marasmo no noticiário, não fosse o clima de ódio à defesa instalado no país. A manifestação de Barbosa é a tradução perfeita do momento de quase suspensão dos direitos individuais que estamos atravessando. Explico.

Considero-me uma advogada técnica. Em vez da oratória cativante ou do traquejo com a mídia, forjei meu sucesso na dedicação ao estudo da causa, do processo, dos detalhes. Todavia, não posso deixar de estranhar o fato de que nem um único jornalista me procurou para falar sobre a audiência que tive no Ministério da Justiça em 5 de fevereiro.

Afinal, tivesse sido questionada, eu poderia ter esclarecido que a petição endereçada ao ministro da Justiça em nada diferia de outra anteriormente dirigida ao ministro Teori Zavascki, relator do caso no STF, e ainda se somava a outras três protocoladas diretamente perante a 13ª Vara Federal de Curitiba.

Em todas essas manifestações a defesa protestou contra o vazamento criminoso de informações protegidas pelo sigilo processual, que em outros países levaria à aplicação de penalidades severas ou à invalidação dos procedimentos.

Assim, a defesa foi ao Ministério da Justiça noticiar que a única providência adotada no bojo do inquérito nº 1.017/14, instaurado na Delegacia de Polícia Federal em Curitiba para apurar os vazamentos, fora a oitiva de três ou quatro jornalistas.

Em outras palavras, nada foi feito, pois é óbvio que o jornalista está vinculado ao sigilo de fonte, e sobre sua conduta não recai qualquer irregularidade. Ocorre que o real trabalho da defesa já não interessa. A paridade de armas pode ir às favas.

Certamente uma audiência do ministro da Justiça com o procurador-geral da República para tratar das investigações em Curitiba não despertaria qualquer repulsa. A defesa é que deve ficar calada, tímida, vexada. Pobres cláusulas pétreas.

A presunção de inocência e o devido processo legal aparecem como obstáculos incômodos ao combate à corrupção e ao justiçamento daqueles que detêm poder político e econômico. E isso me aflige. Aflige-me pelos clientes de hoje e, sobretudo, pelos de amanhã. Angustia-me o risco que corre meu principal cliente, o direito de defesa em si.

Por isso, é preciso denunciar a falácia: o Brasil não precisa optar entre o combate à corrupção e o Estado de Direito. Não estamos diante de alternativas excludentes! É salutar e essencial desvendar e coibir os saques às verbas públicas, é igualmente essencial que façamos isso sem jogar fora o núcleo duro dos direitos fundamentais inseridos na Constituição Federal.

Aos que adoram postar aos quatro ventos que estaria em curso a “venezualização” do país, peço que reflitam sobre esse esforço concentrado liderado pela Operação Lava Jato para cravejar de morte o Estado de Direito. Afinal, há algo mais totalitário do que condenar sem processo? Prisões ilegais, desnecessárias, representam a pior forma de violência do Estado contra o indivíduo.

Já que estou a tratar de ministros, atuais e passados, não posso deixar de pensar na falta que me faz aquele que foi meu ministro de vocação, Márcio Thomaz Bastos. Que o ministro Cardozo tome a ácida comparação com ele como o maior dos elogios, e encontre sabedoria e novos caminhos nas críticas recebidas.

Ultimo discurso de Mauricio Grabois

A Cassação dos Mandatos

Maurício Grabois[1N]

7 de Janeiro de 1948

Primeira Edição: Discurso pronunciado na Câmara dos Deputados na sessão de 7 de janeiro de 1948, em que foi aprovado o projeto da cassação dos mandatos.
Fonte: Problemas – Revista Mensal de Cultura Política nº 7 – Fevereiro de 1948.
Transcrição e HTML: Fernando A. S. Araújo, Março 2007.
Direitos de Reprodução: A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.

Sr. Presidente, Srs. Deputados.

Ontem, ao encerrarmos a sessão, ainda pude usar da palavra durante cinco minutos. Naquele exíguo espaço de tempo, tive ensejo de recordar palavras de uma das figuras políticas de nossa história, Gaspar Silveira Martins, que, ao se dirigir à Câmara de sua época, considerava-a uma assembléia de servis. E, neste instante, Sr. Presidente, não há outras palavras, senão aquelas pronunciadas por Silveira Martins, para dirigir-me a uma Assembléia que se dobra servilmente aos imperativos e à vontade do grupo que se encontra encastelado no Catete, levando o País para a catástrofe e para o caos.

É com essa compreensão, Sr. Presidente, que ocupo a tribuna, certo de que já não falo para um Parlamento soberano, capaz de defender a democracia, capaz de defender sua dignidade. Por isso, usando da palavra, dirijo-me, não a essa maioria que liquida com a democracia, mas ao povo brasileiro, porque, nesta hora em que o regime democrático está em completa derrocada, somente o povo — e somente ele organizado — é capaz de assegurar a democracia.

Nessa discussão do projeto de cassação de mandatos, quero render em nome de meu Partido, homenagem àqueles homens do povo, homens anônimos, que deram seus votos aos representantes, para que, no Parlamento, defendessem o regime democrático e que, hoje, nas ruas, clamam contra esse crime monstruoso que é o Projeto 900-A, o qual irá golpear a democracia em nossa Pátria, mas só temporariamente porque a democracia é invencível; quero reverenciar àqueles homens que vertem hoje seu sangue para que a democracia não pereça; curvo-me ante o operário Anísio Dário, morto pela Polícia de Aracaju, que perdeu a vida clamando contra o crime que se pretende perpetrar com a cassação dos mandatos de representantes legitimamente eleitos.

Não assomamos à tribuna para nos defender, nem para justificar a nossa posição patriótica e que o povo e a nação brasileira já conhecem, dentro do Parlamento, mas ao contrário, se aqui estamos, é para acusar esse grupo fascista, essa maioria subserviente, que trai a democracia e vende o país ao imperialismo americano.

Se sairmos desta Casa, será com a consciência tranqüila, com a cabeça erguida, porque temos a certeza de haver cumprido o nosso dever, fiéis ao nosso eleitorado e ao povo brasileiro, defendendo, palmo a palmo, suas reivindicações e a Constituição da República.

A nossa exclusão desta Casa, será um golpe de violência, anticonstitucional, por parte dos maiores inimigos da democracia. Quando a democracia ressurgir — não essa democracia de fachada, que serve a meia dúzia de politiqueiros e generais fascistas, que estão entregando o Brasil ao imperialismo norte-americano; quando surgir a verdadeira democracia, a democracia do povo, quando for respeitada sua vontade, podem estar certos os Srs. Representantes, que neste instante cessam nossos mandatos, de que voltaremos, não apenas com uma bancada de dezesseis Deputados, mas com número bem maior, capaz de derrotar todos os reacionários que infelicitam o povo brasileiro e impedem o progresso nacional.

A Origem da Cassação dos Mandatos

Sr. Presidente, inoperante, sem nenhum resultado, seria desenvolver, nesta altura dos debates, argumentos jurídicos para atacar o projeto de cassação dos mandatos.

As maiores figuras da cultura jurídica nacional já se manifestaram, mostrando a inconstitucionalidade do projeto — homens como o Ministro Eduardo Spinola, o Sr. João Mangabeira, o Desembargador Vieira Ferreira, o Professor Homero Pires, o Desembargador Bianco Filho, o Professor Luiz Carpenter, o Dr. Sobral Pinto, o Professor Jorge Americano e inúmeros constitucionalistas de reconhecido valor.

Não há, na consciência de qualquer homem honesto, a convicção de que este projeto seja constitucional, Aqui mesmo, neste Parlamento, poucos são os representantes do povo, mesmo aqueles que opinam pela cassação de mandatos, que estejam convencidos da constitucionalidade do projeto. Votam por motivos políticos, por interesses pessoais e de classe.

Por isso, é uma verdadeira farsa querer fazer, agora, debate jurídico em torno dessa monstruosa proposição, que tem sua origem nos círculos reacionários do país e nos fascistas encastelados no Catete, diretamente comandados pelos trustes e monopólios norte-americanos. É grande o cinismo desses homens que, defendendo seus privilégios, procuram mascarar suas posições anti-democráticas, com argumentos sobre a constitucionalidade do projeto infame. Participei dos debates na Comissão de Constituição e Justiça e assisti à defesa dessa proposição, por homens como, por exemplo, o Sr. Eduardo Duvivier, que, naquele instante, com o ardor de quem defende seus negócios imobiliários, como lhe é peculiar, pugnava pela constitucionalidade do projeto Ivo d’Aquino; mas, naquele dia, 19 de dezembro, o Fórum desta Capital anotava que, entre 17 requerimentos de despejo, seis eram do Sr. Eduardo Duvivier.

Assim compreendemos o objetivo central do voto do Sr. Eduardo Duvivier e de outros colegas cassadores que, embora aqui desta tribuna venham falar em motivos jurídicos e em manter os debates “com elevação”, isto é, que não abordem seus negócios escusos, o que fazem é defender os seus interesses de classe e de grupo e ajudar a liquidar a democracia, porque num regime democrático não é possível explorar o povo e manter monopólios, como o do leite, em detrimento de saúde e da bolsa da população do Distrito Federal. Dei esse exemplo, apenas para mostrar que atrás do reacionarismo desse grupo que assaltou o poder, estão principalmente os aproveitadores, os inimigos do povo, os tubarões do câmbio negro e dos lucros extraordinários.

Compreendemos, assim, que a cassação de mandatos, que ora se discute, não é mero debate parlamentar, levado a efeito aqui nesta Casa: é uma etapa de todo um plano traçado, tendo em vista liquidar a democracia no Brasil. E, por isso, a votação que se irá proceder nesta Casa é outro período de um processo, cuja primeira fase foi o cancelamento do registro eleitoral do Partido Comunista do Brasil.

Naquele instante, um juiz, um homem íntegro, um homem que não se corrompeu e não se deixou dobrar à vontade dos senhores que dominam o poder, um homem que é verdadeiramente um juiz e não um réprobo como os demais juizes do TSE — com exceção do Sr. Ribeiro da Costa — que votaram para servir aos poderosos; o Sr. Sá Filho, naquela época, tinha a oportunidade de pronunciar, como que pressagiando para onde caminhávamos, em seu voto magistral:

“O desaparecimento do Partido Comunista dos quadros legais coincide com o eclipse da democracia”.

E a verdade, Sr. Presidente, é que, naquele instante em que, por um resultado precário de 3×2, era colocado na ilegalidade o Partido Comunista do Brasil, se estava dando um passo decisivo para os destinos da democracia brasileira; marchava o país para a ditadura, para um regime de terror e de caos.

Cancelado o registro eleitoral do Partido Comunista, começou nova etapa em nossa vida política: já não estava sendo aplicada a Constituição da República, elaborada ao calor do apoio popular; já nada mais restava de nossa Constituição, transformada pelos senhores do Poder em simples farrapo de papel!

Cada cidadão, cada democrata deve, hoje, compreender que há oito meses, precisamente, pois estamos a 7 de janeiro e aconteceu a 7 de maio, se iniciou a luta descarada e direta contra a democracia. Logo após, inspirado pelos imperialistas americanos, o grupo do Catete que tem à frente esse ditador, que podemos qualificar de fascista, homem idêntico a Morinigo, Trujillo e Franco, não descansou um só instante, até poder encerrar a tarefa de liquidar a democracia no Brasil.

O ditador procura, entretanto, apresentar, com máscara de legalidade, todos os golpes que desfere contra a democracia. E encontra, infelizmente, homens que se prestam a esse papel de coveiros do regime democrático, indo buscar, no Conselho Nacional do Partido Social Democrático quem colocasse sua assinatura numa petição pedindo fossem preenchidas as supostas vagas, resultantes, segundo diziam, do cancelamento do registro do Partido Comunista.

Devido, porém, à pressão popular, à repulsa do povo a esses ataques indecorosos à democracia, um tribunal, que capitulava, que já não mais era um tribunal, mas um órgão a serviço da ditadura, foi levado a descarregar nas costas do Parlamento a responsabilidade de tamanho atentado, e, desgraçadamente, este Parlamento aceita essa responsabilidade.

Sr. Presidente, é indispensável não esquecer que não se pode brincar com a vontade do povo. Não se pode impunemente usurpar, assim de forma tão vergonhosa, pondo em xeque a vontade popular, as cadeiras que ocupam legítimos representantes de mais de meio milhão de brasileiros, que se manifestaram nas eleições de 2 de dezembro de 1945 e de 19 de janeiro de 1947. O povo não ficará indiferente, não silenciará diante desse outro crime cometido pelo Tribunal Eleitoral, cassando, por meios escusos, os mandatos de 190 Vereadores e de um Prefeito, legitimamente eleitos pelos trabalhadores paulistas. A verdade é que, contra a violência dos dominadores, desses homens que tripudiam sobre a vontade popular, se levantará também a violência do povo, para restaurar a democracia, para defender a liberdade, porque esse povo já não pode esperar mais coisa alguma de um Parlamento que capitula, que se entrega e de juizes que se vendem e não sabem honrar as tradições da Justiça Brasileira.

Desejo alertar à toda Nação contra o grupo fascista que aí está no poder, obediente aos banqueiros que dirigem a ofensiva imperialista no mundo inteiro.

Quem Está à Frente do Grupo

A frente de tal grupo está um fascista conhecido, homem que foi condecorado por Hitler e recebeu a espada dos samurais das mãos dos militaristas do Japão, homem que só no último instante, sob a pressão das massas, foi capaz de concordar com o envio das nossas forças expedicionárias para combater o nazismo no solo da Itália.

Para comprovar essa afirmativa, quero lembrar a voz de uma das figuras democráticas de nossa Pátria, —- Manuel Rabelo, general do Exército, discípulo de Benjamin Constant, democrata convicto, que à frente da Sociedade Amigos da América foi capaz de lutar contra a ditadura, o Estado Novo e o fascismo.

É útil recordar o que dizia o General Rabelo por ocasião dá guerra contra o nazismo, para que fique bem claro que o Sr. Dutra não é o Presidente de todos os brasileiros, mas o Ministro do Estado Novo, um fascista empedernido.

Dizia o General Rabelo, em uma representação ao Chefe do Governo:

“Mas o senhor General Dutra não é dono nem ditador do Brasil, nem pode obrigar os brasileiros a pensarem pela sua cabeça. As suas simpatias pelos totalitários correm mundo como certas, mas a nação não quer acompanhá-lo nessa direção e vê com pesar a inércia da nossa preparação militar, que se arrasta pesadamente sob a sua orientação e responsabilidade, mesmo depois que V. Excia. resolveu, por uma genial inspiração, colocar o país ao lado das Nações Unidas na luta pela liberdade dos povos.

Em suas manifestações públicas, em seus discursos, com exceção de um ou dois em que Sua Excia. foi mais explícito, o senhor General Dutra deixa sempre obscura a idéia do inimigo com que temos de lutar. Nunca se ouviu da sua boca a palavra nazismo ou fascismo. Nas recomendações aos comandantes de Região e aos comandantes de corpos, Sua Excia. fala sempre no perigo comunista, sem ter uma palavra de advertência contra o nazismo ou fascismo, com os quais estamos em guerra”.

O Sr. Eurico Gaspar Dutra, transformado em Presidente da República, em virtude da instabilidade política em que vivia nossa Pátria e pela articulação das forças reacionárias do pais, esse homem, de tendências fascistas, elevado a Presidência da República, uma vez nesse posto, não tem feito outra coisa senão aplicar diretrizes políticas que favorecem o imperialismo e o fascismo.

Todos sabemos, é certo, que a Organização das Nações Unidas deliberou que não seriam enviados representantes diplomáticos à Espanha de Franco, e que se deviam restringir as relações comerciais com aquele ditador sanguinário. Observamos, entretanto, a política do Sr. Eurico Gaspar Dutra, toda ela, orientar-se no sentido de favorecer um dos maiores inimigos dos povos, um dos maiores algozes da Humanidade.

O ditador Franco assassina periodicamente os patriotas da Espanha, que lutam pela democracia e pela República. E o que verificamos, pelas notícias dos jornais, é que o Sr. Dutra, contra as resoluções da ONU, pretende enviar embaixador de carreira para nos representar junto àquele ditador. Mais ainda: quando o povo brasileiro luta com situação difícil, passando fome, sofrendo a maior miséria, verifica-se que o comércio do Brasil com a Espanha se intensifica.

O governo que aí está, sob a chefia do Sr. Eurico Dutra, realiza sua política internacional em consonância com os desejos dos ditadores fascistas, como o sanguinário Franco, e com as ordens ditadas pelos magnatas dos trustes e monopólios internacionais. Assim é que um jornal desta capital informa — e não pode haver contestação — o seguinte:

“Em 23 meses de governo o Sr. Dutra mandou para a o General Franco Cr$ 1 .200.000.000,00, em forma de algodão, café, feijão, açúcar e outros produtos que andam por aqui a preços astronômicos”.

Vê V. Excia., Sr. Presidente, que em 23 meses de governo, foi enviado para Franco Cr$ 1.200.000.000,00, em produtos essenciais para o povo brasileiro, e, segundo afirma o mesmo jornal:

“Em 1946 houve inaudita intensificação no comércio com a Espanha. Embarcamos para Francomercadorias no valor de 510.066.000 de cruzeiros e importamos 38.135.000 de cruzeiros.”

Constata-se, deste modo, a existência de um saldo congelado, na Espanha, de Cr$ 451.000.000,00 que só vem beneficiar ao fascista Franco, em detrimento dos interesses do povo brasileiro. Com esse dinheiro, poderíamos ter comprado cinco destilarias de petróleo e oito navios petroleiros, fatores fundamentais para o desenvolvimento da indústria petrolífera em nossa Pátria!

Essa, Sr. Presidente, a política do General Dutra, que visa favorecer o ditador Franco e amordaçar o povo brasileiro, liquidar as liberdades em nossa Pátria.

Enquanto os criminosos de guerra são beneficiados pelo Governo do Sr. Dutra, ditadura que infelicita o país, democratas como os estivadores de Santos que fizeram os maiores sacrifícios, para o esforço de guerra, quando o Brasil combatia os nazi-fascistas, são condenados à prisão para satisfazer a fúria sanguinária deste governo!

Governo de Traição Nacional

Mas, Sr. Presidente, o Governo que aí temos, que impôs à maioria parlamentar a cassação de mandatos, é um Governo de traição nacional, de entrega do país ao imperialismo americano. Vejamos os fatos.

A Light tem um representante no Governo, porque o Sr. Pereira Lira, chefe da Casa Civil da Presidência da República é, também, Chefe do Contencioso da Light.

Lemos, Sr. Presidente, no “Diário de Notícias”, desta Capital, de 19 de dezembro último, que a Light pretende um empréstimo de oitenta milhões de dólares e que o Governo brasileiro vai ser o fiador desse empréstimo no Banco Internacional, empréstimo a uma empresa que explora a população carioca e a do Estado de São Paulo, entravando o progresso nacional. (1)

E não é só. A indústria, ainda incipiente em nosso país, está sendo liquidada por esse Governo, a fim de satisfazer aos seus amos internacionais, aos senhores que dominam, nos Estados Unidos, os trustes e monopólios. O “Diário Trabalhista” de 18 de dezembro findo, jornal muito ligado à família do Sr. Gaspar Dutra, informa o seguinte:

“O Ministério da Aeronáutica, ao que se propala, está cogitando de arrendar a fábrica de aviões do Galeão, a uma firma americana que, segundo a versão corrente, seria a”Beech Aircraft.”

Segundo ainda a mesma notícia, sabemos mais que o Governo pretende entregar nossa fábrica de aviões do Galeão à Beech Aircraft, na seguinte base: concedendo à empresa americana 60% das ações e destinando ao Governo brasileiro e acionistas particulares 40%.

Isto é a entrega do nosso parque industrial ao imperialismo americano, para favorecer a entrada dos produtos ianques no Brasil. Subserviente às ordens do Departamento de Estado norte-americano, o nosso Governo faz essa política, contra os interesses de nosso povo. Enquanto isso, outras nações da América Latina resistem às investidas do imperialismo, como ainda agora assistimos à ação vigorosa do povo panamenho. E, enquanto presenciamos a tal resistência de outros povos da América Latina, nosso Governo se entrega completamente aos norte-americanos.

O Sr. Eurico Gaspar Dutra, em discurso por ocasião do encerramento das manobras da 1.ª Região Militar, afirma que o nosso Exército, hoje, está completamente organizado, inteiramente equipado nos moldes do norte-americano.

O Exército Brasileiro, por culpa do grupo fascista, transforma-se, atualmente, em apêndice das forças armadas norte-americanas. Estou certo de que os nossos bravos oficiais do Exército e os intemeratos soldados não permitirão sejam transformadas nossas Forças Armadas, de tão glorioso passado democrático, em destacamento auxiliar dos imperialistas, das forças de agressão, dos inimigos da paz.

Diz o Sr. Dutra no referido discurso:

“Não devemos esquecer que, anteriormente ao conflito mundial, regia-se o nosso Exército, segundo os padrões vigentes na Europa. Fato novo reclamou uma transformação radical, realizada em pouco tempo, graças à competência dos chefes militares, adaptando-se as nossas Forças Armadas à organização do modelo americano, que servirá à segurança coletiva do continente.”

Vemos que o plano de padronização dos armamentos já não precisa do “referendum” do Parlamento Nacional, não necessita mais da chantagem da simulação de uma conferência inter-americana. Observamos que a padronização dos armamentos está sendo realizada. Neste sentido, portanto, todo patriota tem o dever de protestar e lutar contra esse ato.

Não é por acaso que “fortalezas-voadoras” se encontram em Gravataí e Canoas, no Estado do Rio Grande do Sul, ou no aeroporto de Val-de-Cães, no Estado do Pará, de onde partem para realizar levantamentos topográficos, visando, sem dúvida, preparar mapas que servirão aos soldados do dólar para dominar o nosso povo, quando este se levantar para resistir às investidas do imperialismo norte-americano que , deseja colonizar a nossa Pátria.

Outro ponto, também fundamental que se prende à cassação de mandatos: segundo estou informado, no Conselho Nacional de Petróleo há projetos que dizem respeito à exploração do petróleo em nosso país. O governo espera, simplesmente, a hora em que os comunistas sejam violentamente expulsos das Casas do Congresso Nacional, para, então, com toda a facilidade, fazer aprovar essas proposições, que tem em mira entregar esse produto, fundamental ao nosso desenvolvimento, à “Standard Oil”, aos trustes internacionais, transformando, assim, o nosso país numa colônia do imperialismo norte-americano. (2)

O Povo Contra a Cassação

Sabemos bem as razões do projeto de cassação de mandatos: não é uma vingança do Sr. Eurico Gaspar Dutra ou o resultado da agitação do trêfego Sr. Barreto Pinto, como afirmou o Sr. Café Filho. Conhecemos as origens do projeto 900-A, sabemos onde se acham os verdadeiros autores do projeto de cassação de mandatos, que poderão ser encontrados nos bastidores do Departamento de Estado. Muitos dos Deputados que, hoje, votam essa proposição, de futuro, se ainda lhes sobrar algum sentimento de patriotismo, irão compreender os motivos desse projeto, que pretende fazer emudecer as vozes daqueles que não se calam, desmascarando sempre os inimigos do povo.

É esse projeto de tal maneira anti-patriótico, antidemocrático e inconstitucional que todo o povo se levanta contra tão infame proposição. Desejava, apenas, lembrar que importantes Assembléias Legislativas Estaduais se têm manifestado contra o projeto Ivo d’Aquino. Isto significa que os representantes, que nesta Casa, votam pela cassação de mandatos estão traindo o mesmo eleitorado, cujos representantes estaduais e municipais se pronunciam contra o ignominioso projeto. Assim, as Assembléias dos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Goiás, Pernambuco, Paraná, Bahia, Sergipe, Espírito Santo e Minas Gerais, dez Assembléias Legislativas dos mais importantes Estados da Federação são contra a cassação de mandatos.

São contrárias, igualmente, à cassação de mandatos inúmeras Câmaras Municipais, dentre as quais posso citar a do Distrito Federa!, que tem se colocado, de maneira decisiva, na luta em defesa da população carioca. Além dela, votaram moções contra a cassação de mandatos, a Câmara Municipal de São João de Meriti, a de Jaboatão, a de Nova Iguaçu, o prefeito e vereadores de Marília, os vereadores santistas, ainda não empossados, a Câmara Municipal de Paulista, de Campos e de Macaé e vereadores de Friburgo. Também se manifestaram, no mesmo sentido, as Câmaras Municipais de Recife, Araguari, Goiânia e Nova Lima.

São inúmeras, pois, as assembléias do povo, compostas de homens provindos do seio da massa popular, que patenteiam a sua repulsa ao projeto de cassação de mandatos.

Mais ainda: inúmeras organizações profissionais e populares votaram moções contra a cassação de mandatos. É preciso ficar constatado que assim resolveu o Congresso Jurídico Nacional, expressivo do que há de melhor na ciência jurídica do país.

Também poderia citar a juventude que se coloca contra os cassadores de mandatos, através das manifestações da União Nacional dos Estudantes.

Poderia, ainda, demonstrar que a intelectualidade brasileira se opõe à cassação de mandatos, através da declaração de princípios do II Congresso de Escritores e da diretoria da Secção Central da Associação Brasileira de Escritores.

São, assim, Inúmeras as organizações que se pronunciaram contra a cassação de mandatos, o que demonstra que nosso povo, de maneira alguma, aceita essa medida iníqua e odiosa que significa uma traição à própria democracia em nosso país.

Neste discurso, desejo ainda lembrar que este Parlamento está chegando a maior grau de desmoralização. Em 1937, o Congresso de então não foi capaz de defender sua dignidade, curvando-se às vontades dos senhores que dominavam no Catete. Foi ele que votou as leis de segurança, o estado de sitio e o de guerra, permitindo a prisão e processo de membros seus. Esse Parlamento, portanto, sucumbiu, apodrecido, sem o protesto popular, porque quando a polícia cercou este mesmo Palácio do Congresso, nenhuma voz do povo se levantou para proteger um Parlamento incapaz de defender suas próprias prerrogativas!

Os fatos se repetem de maneira muito mais trágica e mais séria, porque esta Casa se mostra muito abaixo daquela de 37. Aquele cedeu ao futuro ditador, votando leis de arrocho e exceção; o atual corta na própria carne, expulsando de seu seio homens legitimamente eleitos pelo voto popular, sem contestação alguma.

Uma vez consumado o crime, o Parlamento não merecerá o respeito da opinião pública. Será um Parlamento desfibrado, que o povo não levará a sério; e, quando os inimigos da Democracia procurarem implantar uma ditadura sem aparência legal, bastará simplesmente um vigilante noturno para fechá-lo, pois nenhuma voz será capaz de se interessar por um parlamento de capitulação e de traição nacional.

O Que Está Atrás da Cassação

Atrás de todo esse projeto de cassação, entretanto, esconde-se toda uma política contrária aos interesses do povo. Quando encerrávamos a última sessão legislativa, tive oportunidade de dizer que este Parlamento não votou nenhum projeto que beneficiasse o povo. Durante quase um ano de funcionamento, só se votaram as mensagens enviadas pelo Executivo, solicitando abertura de créditos para o governo, ou isenção de direitos para empresas imperialistas. É um Parlamento que serve unicamente aos poderosos. Esta é que é a realidade.

Quando se discutiu o projeto de descanso semanal remunerado o que vimos foi a sabotagem sistemática, culminando com o Sr. Souza Costa, pedindo a audiência da Comissão de Finanças e até hoje o aludido projeto não foi aprovado.

Quando se trata de aprovar um crédito de Cr$ 30.000.000,00 para satisfazer a determinados fazendeiros de café do Estado do Rio e do Espírito Santo o projeto corre e em uma sessão é aprovado.

Esse Parlamento votando a cassação de mandatos mostra que está coerente com a sua atitude reacionário, incomoda aos representantes das classes dominantes ouvir a voz da classe operária e do povo brasileiro que tem assento neste Parlamento. Torna-se intolerável aos reacionários, aos negocistas, aos exploradores, ouvir expressões rudes, às vezes mal formuladas dos operários que têm assento nesta Casa: do Deputado negro Claudino Silva, do ferroviário Agostinho de Oliveira, porque é a voz do povo que aqui está vigilante desmascarando as manobras do Sr. Dutra e do grupo fascista contra o país.

Aqui também está a origem do projeto de cassação de mandatos: se votam por subserviência, também o fazem por interesses pessoais para afastar a voz do povo, do proletariado, do recinto desta Assembléia. Mas podem estar certos de que este Parlamento, sem os representantes da classe operária, sem os representantes que vêm do povo, não merecerá mais o respeito e a devida consideração, não será mais um poder da República, mas um apêndice podre da ditadura do Sr. Eurico Gaspar Dutra.

Sr. Presidente, atrás desse projeto de cassação de mandatos, está toda uma ofensiva contra os trabalhadores e contra o povo em geral, está a luta pela rebaixa dos salários. São os patrões reacionários que pretendem diminuir os salários e já vemos como se fecham fábricas para que operários sejam demitidos e depois readmitidos novos com salários inferiores. É a política do congelamento e da rebaixa dos salários; é a política de defender a carestia da vida.

Algumas estatísticas publicadas na “Conjuntura Econômica do Brasil”, Boletim da Fundação Getúlio Vargas, revelam a alta assustadora dos preços, no país inteiro. Os alimentos, a habitação, o vestuário, medicamentos, todas as utilidades, serviços e mercadorias de consumo do povo chegaram hoje a um nível elevadíssimo sobre o nível de fevereiro de 46, quando Dutra assumiu o governo. A maior alta é verificada nos preços dos gêneros alimentícios, que nestes dois anos teve um aumento de 42 % no Distrito Federal. Noutras regiões do país, como por exemplo o extremo-norte, pela dificuldade de transporte, esse aumento foi muito maior, chegando a 95% . As estatísticas oficiais confessam que hoje em dia 60% dos salários são despendidos na alimentação.

Eis dados que confirmam, irrefutavelmente, minhas asseverações.

Índice – Base 100, 1941
jan 1946 mar 1947
Café 199 288
Algodão 181 322
Cacau 140 427
Trigo 225 383
Açúcar 236 290
Banha 228 399
Feijão 189 264
Tecidos 288 440

Assim, vemos como a carestia da vida aumenta e os salários continuam congelados. Em 15 produtos fundamentais, como o açúcar, o arroz, a banha, a batata, o café em pó, a carne verde, a farinha de mandioca, a farinha de trigo, o charque, o feijão, o leite, a manteiga, os ovos, o pão e o toucinho, no ano de 46 o custo da vida aumentou em 56%.

O que se esconde, pois, atrás do projeto da cassação de mandatos é uma ofensiva contra os trabalhadores. Podem perseguir os comunistas, podem liquidar com as liberdades, mas não acabarão com o fome, não resolverão os problemas do povo, poderão enriquecer os senhores das classes dominantes, mas a vontade do povo prevalecerá um dia, porque contra as forças da democracia não há obstáculo capaz de impedir a sua marcha vitoriosa.

Por outro lado, Sr. Presidente, lembrarei que, atrás do projeto de cassação dos mandatos, está também um Ministério de implacáveis inimigos do nosso povo, porque o Sr. Eurico Dutra tem a habilidade infeliz de se cercar de grandes homens de negócios, para não empregar o termo “negocista”. Poderia lembrar, como exemplo, o Ministro que tem na mão a pasta que mais interessa aos trabalhadores, o Ministério do Trabalho. S. Excia. participa da direção de várias empresas, conforme reportagem do jornalista Francisco Ribeiro, cujos trechos lerei e que dizem o seguinte sobre o Sr. Morvan de Figueiredo:

“Seus negócios, a acreditar nos balancetes mais ou menos discretos, vão esplendidamente. O Banco Bandeirante do Comércio S.A. aumentou o seu capital. A Companhia Bandeirante de Seguros Gerais S, A. espraia por todo o país a sua ação seguradora, e tudo leva a crer que a Companhia Nacional de Gás Esso, escorada na quintessência dos homens de fortuna e prestígio no país, constituirá dentro em breve o mais formidável negócio comercial já registrado no Brasil. Não esqueçamos também da Nadir Figueiredo Indústria e Comércio S.A., que merece um capítulo a parte, e da Sociedade Anônima Indústria de Amido, a SAIRA, outros pertences do poderoso mealheiro do detentor do mais sadio sorriso do Ministério do Sr.Dutra.”

Citarei também o Sr. Correia e Castro, sócio do Sr. Larragoitte, agente do bandido Franco, em nossa Pátria. Sobre S. Excia. diz o jornalista:

“Atualmente, além do Ministério, o Dr. Correia e Castro responde pelos destinos de algumas empresas poderosíssimas, como o Banco Hipotecário Lar Brasileiro S.A., a Cia. Nacional de Álcalis S.A., o Monitor Mercantil S.A., a Correia e Castro S.A. Importadora e Distribuidora de Petróleo e Derivados (que até bem pouco distribuía — ou talvez ainda distribua — os combustíveis do governo) e a Refinaria e Exploração de Petróleo União S.A.

Andam dizendo por aí que o Sr. Correia e Castro não está vivendo em boa paz dentro do “Lar Brasileiro”, pois, sua política de extrema retração teria colidido com determinados interesses do seu sócio Larragoitte. Mas claro que o ministro saberá dar um jeito”.

Até pouco tempo, entretanto, S. Excia. era muito ligada ao “Lar Brasileiro”.

Quanto ao Ministro que se diz da União Democrática Nacional, o Sr. Clemente Mariani, escreve o jornalista:

“Isto significa que durante mais algum tempo o Banco Brasileiro de Crédito S.A. e a Cia. Imobiliária da Representações Brasileira, C.I.R.B. S.A. vão ficar privados da assistência imediatas do infatigável ministro.”

Sua Excia. esteve ligado a todas essas empresas e mais à firma Magalhães & Cia., monopolista do açúcar no Estado da Bahia. Fala-se ainda no célebre câmbio negro de automóveis, que S. Excia. até hoje não explicou suficientemente.

Não preciso, entretanto, falar nesse Ministério de homens de negócios, para não dizer negocistas. O último escândalo do arroz em que esteve envolvido o Sr. Adroaldo da Costa, Ministro da Justiça, é bem o exemplo do que significa esse governo de fome, esse governo antidemocrático, esse governo de traição nacional.

Assim, Sr. Presidente, vemos, atrás do projeto de cassação de mandatos, a ofensiva não só contra a democracia, mas contra o povo, para escravizá-lo, para asfixiá-lo.

Os Inimigos do Povo Serão Derrotados

É preciso frisar que tudo isto se dá sob o silêncio e com a conivência da quase totalidade dos políticos brasileiros. Tal silêncio é realmente criminoso.

Desejo invocar, agora, declaração do ilustre Deputado Afonso Arinos, com a devida permissão, e Sua Excia. poderá ou não confirmá-la. Disse-me outro dia S. Excia., em conversa, que o projeto de cassação de mandatos marchava rapidamente, neste plenário, não pela atividade da maioria, mas pela inércia dos que lhe são contrários.

É verdade que fora a bancada comunista, a resistência levada a efeito, nesta Casa contra este projeto, salvo honrosas exceções, não foi a que poderia esperar o povo brasileiro de seus representantes. O fato é, sem dúvida, fruto da capitulação dos homens que se diziam partidários da bandeira da “eterna vigilância”.

Sr., Presidente, a democracia não é um jogo de palavras. A democracia são os fatos, a prática diária e concreta do respeito à nossa Constituição e a defesa dos interesses do povo, e não a subserviência, o calar ante as manobras e as violências dos poderosos, estou certo de que os acordos e arranjos, que tiveram como objetivo principal facilitar a marcha deste indecoroso projeto, não darão resultado, porque as contradições aumentarão. As posições são poucas e os cargos não chegam para todos. As divergências prosseguirão, porque, para contemplar a UDN se descontentara o PSD.

Não é por acaso que o “Correio da Manhã” de hoje — e já não tem a mesma atitude de combate assumida quando da petição do Conselho Nacional do PSD ao Superior Tribunal Eleitoral, pois agora silencia em face do problema da cassação de mandatos — termina o editorial da edição desta manhã dizendo:

“Que estranho e misterioso acordo. . .”

Todas essas capitulações ao grupo fascista são golpes assestados contra a democracia.

No caso da cassação de mandatos não estão em jogo os comunistas, mas a própria sobrevivência do regime democrático, porque, a experiência mostrou que com o golpe de 10 de novembro de 1937, não sofreram apenas os comunistas, mas também aqueles que, embora de ideologia contrária à nossa tiveram, naquele instante, capacidade de erguer a sua voz, protestando contra os desmandos da ditadura.

Por fim, quero lembrar as conseqüências antidemocráticas que advirão para o povo brasileiro desse projeto de cassação de mandatos.

Ainda agora, o Dr. Ângelo Mendes de Morais, que é Prefeito do Distrito Federal por delegação do ditadorDutra, homem que, se concorresse a uma eleição, não seria eleito nem vereador, já se julga no direito de fazer recriminações ao Parlamento, dizendo que a lei de cassação dos mandatos é de “purificação”, e que atrás dela virão outras — lei de imprensa, lei contra os funcionários públicos, lei contra os militares, lei de segurança, em suma, leis para sufocar violentamente a democracia em nosso país. E, como se isto não bastasse, há poucos dias, numa cerimônia no Palácio da Guerra, um General do Exército, o Sr. Zenóbio da Costa, ditava ordens ao Congresso, no sentido de votar o projeto de cassação de mandatos. Pelo que vejo, tais ordens foram fielmente cumpridas, porque, ainda hoje, a maioria reacionária docilmente votará tão infame e indecorosa proposição.

Sr. Presidente, o que se está passando neste Parlamento é uma traição à democracia. Expulsa-se desta Casa a bancada mais representativa do povo brasileiro.

O nobre Deputado, Sr. Munhoz da Rocha, em discurso aqui proferido, afirmava que todos nós, deputados comunistas, falamos uma só linguagem. É verdade. Falamos a linguagem do povo, do interesse nacional. Mas todos pós, da bancada comunista, saímos dos mais diferentes setores, da sociedade. Lá não estão os negocistas, os industriais reacionários e advogados de empresas imperialistas. Lá estão homens comoGregório Bezerra, com sua vida dedicada ao povo pernambucano; Abílio Fernandes, operário metalúrgico; Jorge Amado, uma das glórias da literatura nacional; Alcedo Coutinho, médico de renomado valor; João Amazonas, Pedro Pomar, Diógenes de Arruda e Carlos Marighella, dirigentes comunistas e provados lutadores da causa democrática; Henrique Oest e Gervásio Azevedo, heróis da FEB; Claudino Silva, Francisco Gomes, Agostinho de Oliveira e José M. Crispim, filhos da classe operária.

A verdade, Sr. Presidente, é esta: somos a expressão legítima do povo brasileiro. Podem nos chamar de agentes de qualquer nação, mas a nossa atitude tem sido das mais patrióticas, sem precedentes em nossa história política, em defesa das instituições democráticas e dos interesses do Brasil.

As outras bancadas não podem dizer o mesmo, porque constituídas, na sua quase totalidade, de representantes dos latifundiários, dos industriais, dos reacionários e de advogados de bancos estrangeiros.

Assim, expulsa-se do Parlamento esta bancada, que se tornará muito maior; terá maior glória e maior prestígio, do que aqui sentada. Estou certo de que sairemos vitoriosos da luta. Hitler, com suas forças e divisões motorizadas, sofreu a derrota final e definitiva.

A vitória será do povo e não será do Sr. Eurico Gaspar Dutra, com um Parlamento de ficção, simples chancelaria do Catete, dando apenas o seu visto aos atos do Governo, não será o Sr. Dutra nem esta maioria, — repito — que acabarão com o movimento comunista no Brasil, porque nós somos a vanguarda das forças do progresso e da democracia.

Somos a juventude do mundo, os homens que lutam pelo progresso do Brasil. Somos soldados do grandePrestes. Sabemos que a luta será árdua, mas saberemos erguer a bandeira de defesa da democracia e do nosso povo e o triunfo será certo e decisivo. O governo do Sr. Dutra cairá sob a pressão dos massas e será execrado por todos os brasileiros.

Os latifundiários e agentes do imperialismo, os principais inimigos do nosso povo, serão derrotados e uma era de verdadeira democracia popular surgirá para emancipar o país e assegurar a independência da nossa Pátria.

Observação: Leia este mesmo discurso como divulgado na Revista Princípios, edição 8, Maio, 1984, pág. 27-32.

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Notas:

(1) Posteriormente ao pronunciamento desse discurso, foi concedido o empréstimo com o aval do governo. (retornar ao texto)

(2) Presentemente encontra-se no Parlamento o projeto a respeito do petróleo enviado pelo Sr. Dutra. (retornar ao texto)

[1N] Líder da bancada comunista, na Câmara Federal. Discurso pronunciado na Câmara dos Deputados na sessão de 7 de janeiro de 1948, em que foi aprovado o projeto da cassação dos mandatos da bancada comunista. (retornar ao texto)

Reportagem – ler e se indignar! Ditadura na Argentina

A incrível entrevista de uma Mãe da Praça de Maio forjada pela ditadura argentina

Ignacio de los Reyes
Da BBC Mundo, em Buenos Aires

24/12/201416h55

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  • BBC Mundo

    Entrevista de Thelma Jara de Cabezas, uma das Mães da Praça de Maio, foi forjada pelos militares na ditaduraEntrevista de Thelma Jara de Cabezas, uma das Mães da Praça de Maio, foi forjada pelos militares na ditadura

Ela comprou roupa nova e foi se arrumar no cabeleireiro. Naquele dia, Thelma Jara de Cabezas, uma das Mães da Praça de Maio, precisava estar radiante para o encontro que teria com jornalistas de uma das publicações mais lidas na Argentina. Toda a preparação era pouca para uma entrevista que seria lembrada por décadas.

“Fala a mãe de um revolucionário morto”, diz o título da capa da revista Para Ti de 10 de setembro de 1979, justo abaixo de uma foto do especial de moda argentina.

Dentro da publicação, entre uma reportagem sobre os grandes nomes da alta costura francesa, fotos da atriz Sophia Loren e receitas de cozinha, aparece o rosto de uma mulher angustiada.

Para Ti, 1979

“Thelma Jara de Cabezas traz um testemunho nunca antes contado. É trazer à luz da verdade a infâmia que se esconde por trás de grupos com clara e inequívoca ideologia”, diz a publicação.

O que os argentinos não souberam é que Thelma não havia ido voluntariamente ao cabeleireiro e nem havia estreado o vestido por desejo próprio.

Muito menos que ela era, na realidade, uma das prisioneiras do centro de detenção clandestino da Escola de Mecânica Armada (ESMA), um dos principais lugares de tortura durante o regime militar argentino (1976–1983) em Buenos Aires.

Thelma havia sido sequestrada por ter apoiado Montoneros, a guerrilha peronista de esquerda em que militava o filho Gustavo, um estudante de 17 anos que havia “desaparecido” no dia 10 de maio de 1976, quando uma patrulha do governo o colocou em um veículo e o levou – seu paradeiro é desconhecido até hoje.

A entrevista que os argentinos leram entre as fotos da coleção Primavera-Verão foi forjada com a intenção de mudar a percepção que parte da sociedade tinha sobre os grupos que combatiam a Junta Militar e também para dividir as organizações humanitárias.

Em uma medida sem precedentes, 35 anos depois daquela reportagem, um juiz federal argentino fez uma acusação contra o chefe de redação da revista à época, Agustín Botinelli, que nega ter culpa no caso.

A BBC Mundo apresenta aqui o caso da entrevista que, segundo a Justiça argentina, tinha a intenção de disseminar a ideia de que os desaparecimentos, as torturas e os assassinatos do regime militar no país eram uma invenção das organizações dos direitos humanos.

Confeitaria

A entrevista foi na confeitaria do bairro de Bajo Belgrano, em Buenos Aires, não muito longe da ESMA, o local onde Thelma havia sido levada três meses antes de falar à revista, em abril de 1979, por sua colaboração com os Montoneros e seu ativismo na Comissão de Familiares de Presos e Desaparecidos por Razões Políticas.

A mulher de 52 anos havia sido uma das primeiras mães a dar a volta na Pirâmide de Maio depois do desaparecimento forçado do filho, Gustavo Cabezas.

Ela foi conduzida até o café usando óculos escuros para que ficasse mais difícil reconhecer o caminho.

Hoje em dia, esse lugar ainda existe, mas foi reformado e é um bar restaurante, com grandes colunas e janelas enormes.

“Entramos na confeitaria, ela estava sentada em uma mesa perto da janela, com as cortinas fechadas. O lugar estava vazio, era por volta de 10h30 da manhã”, conta à BBC Mundo Tito La Penna, o fotógrafo que registrou a entrevista com a Mãe da Praça de Maio em setembro de 1979. “Para mim, essa era só mais uma notícia”, disse.

Mas não foi.

Os depoimentos à Justiça de La Penna e do redator da revista, Eduardo Scola, que haviam sido mandados ali sem saber que estavam frente a frente com uma prisioneira, contribuíram com a “Operação Para Ti”.

“Fiquei com essa entrevista gravada na memória, porque ela era a primeira pessoa que falava sobre um desaparecido”, conta o fotógrafo, que tinha 29 anos à época.

No local, havia vários jovens, um sentado junto a Thelma, a quem ela apresentou como amigo de seu filho, segundo conta La Penna, e outros em outra mesa.

BBC Mundo

Gustavo Cabezas, filho de Thelma, foi um dos desaparecidos na ditadura argentina. Thelma faria parte do grupo das Mães da Praça de Mayo

“Altos, magros, fortes…”

Com o passar do tempo, o fotógrafo entendeu que não se tratava de clientes do café, mas, sim, de membros das Forças de Segurança. “Quem dera eu tivesse percebido isso”, lamenta.

Thelma pediu que ele não fotografasse os jovens. Além disso, foi um pedido dela que as fotos tiradas não identificassem o local onde estavam – assim, todos os registros da entrevista foram simples em primeiro plano dela em branco e preto.

As fotos ficaram tão simples que, quando La Penna voltou à redação, o editor de fotografia reclamou da baixa qualidade das imagens.

“Que porcaria você fez!”

Publicação

“Meu nome é Thelma Dorothy Jara de Cabezas. Sou viúva. Tenho 52 anos. Vivi separada do meu esposo nos últimos 17 anos. Meu filho se chama Gustavo Alejandro. Era um menino muito doce. Seus sentimentos não tinham nada a ver com a violência.”

Assim, Thelma se apresenta no texto publicado pela revista Para Ti.

O que você diria às mães argentinas?

“Que estejam alertas. Que vigiem de perto seus filhos. Essa é a única forma de não ter de pagar o grande preço da culpa, como o que estou pagando hoje por ter sido tão cega, tão tola.”

Em sua declaração durante o julgamento das Juntas, em 1985, a entrevistada assegurou que havia recebido instruções para “desprestigiar as organizações de direitos humanos e desmoralizar os familiares”.

Ela reafirmou que um dos oficiais prometeu “pontos suspensivos” a ela, caso não fizesse como estavam mandando. Ainda assim, ele dizia que “ela poderia fazer o que quisesse, porque ninguém a obrigaria a nada” – e seguia com as ameaças de punição.

O texto publicado na revista não condiz com boa parte das coisas que Thelma disse na entrevista, segundo ela. Por exemplo, a publicação dá seu filho como morto, algo que ela afirma nunca ter dito aos jornalistas na confeitaria.

“Prefiro deixar claro desde já, antes de seguir falando, que meu filho morreu em um combate com as Forças de Segurança”, é o que diz a publicação.

Pouco depois da revista ter sido publicada, o diário Buenos Aires Herald – naqueles anos, um dos poucos a dar espaço a ativistas de direitos humanos e denúncias de crimes cometidos pelo Estado -, destaca a linguagem militar da entrevistada, pouco comum para uma Mãe da Praça de Maio.

“O desespero dessa mulher de não poder gritar durante a entrevista”, disse o fotógrafo. Hoje, com seus quase 90 anos, os problemas de saúde mantêm Thelma longe da imprensa.

O outro filho dela, Daniel, conta à BBC Mundo como reagiu ao ver a publicação: “No momento que vi a notícia, eu fiquei muito feliz, porque era um sinal de que ela estava viva”, disse. “Mas logo me dou conta de que não há nem uma palavra da minha mãe na entrevista.”

“Ela pensou: se sai uma notícia, Daniel vai saber que estou viva, mas fui à entrevista sabendo que iria voltar à ESMA”, explica Thelma.

E à ESMA ela voltou.

O impacto

A publicação da entrevista coincidiu com a chegada a Buenos Aires de um comitê da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos.

“O objetivo da reportagem havia sido colocar em dúvida ou esconder a prática de prisões ilegais e desaparecimentos forçados, incluindo o da própria entrevistada, e difundir a ideia de que a existência dos desaparecimentos era uma mentira semeada pelas organizações de direitos humanos”, garante o juiz Sergio Torres, responsável pela megainvestigação dos crimes de lesão à humanidade cometidos pela ESMA, onde estava presa a entrevistada.

Com esta operação, pretendia-se dividir os grupos que denunciavam os crimes do Estado: como ela, uma das primeiras militantes da Praça de Maio, poderia negar publicamente e de maneira incisiva seus companheiros e organizações internacionais?

“Alguns setores de organizações de direitos humanos reconheceram a reportagem como verdadeira e passaram a negar minha mãe, o que gerou um isolamento dela. Ela passou muito mal”, conta Daniel.

No dia 7 de dezembro de 1979, Thelma Jara de Cabezas saiu da ESMA. “A velha”, como a chamavam no centro por ser uma das prisioneiras mais jovens, com apenas 54 anos, foi libertada sem explicações. Uma recompensa pela entrevista? Nunca saberemos”, conta o filho.

Quatro décadas depois

A maior parte dos militares que mantiveram Thelma presa foram condenados, entre eles Ricardo Miguel Cavallo, o oficial que a ameaçou para que falasse com os jornalistas – ele foi sentenciado à prisão perpétua em 2011.

Quase quatro décadas depois da publicação da entrevista, um juiz processou também o chefe de redação da revista por crime de coação. Augusto Botinelli se tornou, então, o primeiro jornalista argentino processado no marco da investigação dos crimes contra os direitos humanos durante o regime militar que governou o país de 1976 a 1983.

Botinelli não quis dar a versão dele à BBC Mundo, mas negou as acusações na Justiça e disse que vai “esperar o resultado do processo para analisar os próximos passos a serem tomados em função da ação que se formar contra ele”.

Enquanto isso, o filho vivo de Thelma, Daniel Cabezas, guarda em um plástico a publicação que mudou a vida de sua mãe. “É complexo pensar no que poderia ter acontecido se não houvesse a publicação dessa revista”, diz.

Ele acredita que essas páginas servirão para investigar a responsabilidade dos meios de comunicação nos crimes de Estado naqueles anos.

Daniel guarda com cuidado aquela edição da Para Ti com o especial de moda, as fotos das atrizes de Hollywood e a entrevista da mãe dele.

“Na história da minha família, essa matéria me permitiu saber que minha mãe estava viva. E me permitiu ter forças para seguir denunciando tudo o que acontecia na ditadura.”

Ninguém consegue esconder a verdade,nem a Dona Globo.

ALGUMA SURPRESA NISTO?

Documentos dizem que Roberto Marinho foi principal articulador da Ditadura Militar

TER, 17/02/2015 – 19:35

Enviado por Antonio Carlos Silva – RJ

do Portal Metrópole

Documentos dizem que Roberto Marinho foi principal articulador da Ditadura Militar

Em telegrama ao Departamento de Estado norte-americano, embaixador Lincoln Gordon relata interlocução do dono da Globo com cérebros do golpe em decisões sobre sucessão e endurecimento do regime

No dia 14 de agosto do 1965, ano seguinte ao golpe, o então embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Lincoln Gordon, enviou a seus superiores um telegrama então classificado como altamente confidencial – agora já aberto a consulta pública. A correspondência narra encontro mantido na embaixada entre Gordon e Roberto Marinho, o então dono das Organizações Globo. A conversa era sobre a sucessão golpista.

Segundo relato do embaixador, Marinho estava “trabalhando silenciosamente” junto a um grupo composto, entre outras lideranças, pelo general Ernesto Geisel, chefe da Casa Militar; o general Golbery do Couto e Silva, chefe do Serviço Nacional de Informação (SNI); Luis Vianna, chefe da Casa Civil, pela prorrogação ou renovação do mandato do ditador Castelo Branco.

No início de julho de 1965, a pedido do grupo, Roberto Marinho teve um encontro com Castelo para persuadi-lo a prorrogar ou renovar o mandato. O general mostrou-se resistente à ideia, de acordo com Gordon.

No encontro, o dono da Globo também sondou a disposição de trazer o então embaixador em Washington, Juracy Magalhães, para ser ministro da Justiça. Castelo, aceitou a indicação, que acabou acontecendo depois das eleições para governador em outubro. O objetivo era ter Magalhães por perto como alternativa a suceder o ditador, e para endurecer o regime, já que o ministro Milton Campos era considerado dócil demais para a pasta, como descreve o telegrama. De fato, Magalhães foi para a Justiça, apertou a censura aos meios de comunicação e pediu a cabeça de jornalistas de esquerda aos donos de jornais.

No dia 31 de julho do mesmo ano houve um novo encontro. Roberto Marinho explica que, se Castelo Branco restaurasse eleições diretas para sua sucessão, os políticos com mais chances seriam os da oposição. E novamente age para persuadir o general-presidente a prorrogar seu mandato ou reeleger-se sem o risco do voto direto. Marinho disse ter saído satisfeito do encontro, pois o ditador foi mais receptivo. Na conversa, o dono da Globo também disse que o grupo que frequentava defendia um emenda constitucional para permitir a reeleição de Castelo com voto indireto, já que a composição do Congresso não oferecia riscos. Debateu também as pretensões do general Costa e Silva à sucessão.

Lincoln Gordon escreveu ainda ao Departamento de Estado de seu país que o sigilo da fonte era essencial, ou seja, era para manter segredo sobre o interlocutor tanto do embaixador quanto do general: Roberto Marinho.

Telegrama 2
Telegrama 1

O histórico de apoio das Organizações Globo à ditadura não dá margens para surpresas. A diferença, agora, é confirmação documental.