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Não sei a data certa do evento – mas acredito que era 1966  – meus 16 anos e sonhos a mil!!!

Era um Domingo de verão e nada para fazer – convidei meu amigo de colégio e turma Alvaro para uma pescaria em Copa – detalhe nada entendia de isca,molinetes por aí vai.

Meu pai tinha uma vara “toda  toda,” molinete francês ultima geração  e cheio de bossa,no entanto, como eu, nada entendia de pescaria  – não sei a razão da compra da aparelhado de pesca – que me lembre fomos pescar uma única vez – e quem lançava a isca e o peso  era um pescador ao lado – assim como  eu,meu o pai era do tipo SEM JEITO MANDOU LEMBRANÇAS.

Era hábito dos meus pais viajarem á Teresópolis, assim “peguei emprestado” todo o equipamento – e graças a mãe do Alvaro, a santa D.Noemia,  que apelidávamos – “Alvaro meu filho minha vida” conseguiu não se sabe como  sardinha (peixe mesmo e não em latas) para isca.

Fomos ao mar – Av Atllãntica em frente a Rua Djalma Ulrich – lembrar que nem se cogitava a ampliação da praia de Copacabana – ou seja Av Atlântica era mão dupla – perigosa , risco para atravessar e os atropelamentos. infelizmente eram constantes.

Tinha sido uma semana de mar agitado e a areia escassa – ou seja nossa pescaria perto do muro – bem visível das indas e vindas das pessoas.

Iscar ao mar – maré baixa – colocar a vara de pescar no suporte,espera e curtir o lusco fusco do final de tarde, gostoso como manda o figurino – QUANDO… aparece o Chico – sujeito totalmente maluco,boa praça,nossa idade, bom de bebida e principalmente uma irmã que era uma GRAÇA e eu de olho nela.

Cachaça aberta e Alvaro e Chico a tomar – e que cachaça ruim! para quem se lembra  – cachaça PITU – um gole e início de cirrose.

Sem dar uma de bom menino – estava lá para pescar – se desse uma merda qualquer tava FU com o velho – “Cade meu equipamento de pescar???” em suma:a cachaça era negócio dos dois .

Chico e Alvaro bebuns completamente – em pé,no chão e eu roxo de pancadas – bebum é especialista em meter a mão pesada em você e dizer – “você é meu  melhor amigo…” – segurando a vara de PESCAR!!! ver  se um peixe morde,recolher a linha e nova isca e toma de pancada dos dois – “Você é meu melhor amigo!!” um saco e um programa de índio de final de domingo.

Surge do nada, na areia, uma serei negra – dos seus 17/18 anos,shortinho e um corpo de babar – cheia de lero lero joga charme pro Chico e Alvaro,ambos caras boas pintas.Pararam do “você é meu melhor amigo” para o “vem cá minha neguinha!”

A sereiazinha negra – brincando com os dois – eles a perseguindo,bebuns,uma coriida e cara no chão – um VEXAME COMPLETO – e a calçada cheia de gente,famílias e principalmente cheia de gatinhas passeando – pior parando para ver a cena.EU? impávido, morrendo de vergonha, mas sustentado a MORAL DA PESCARIA.

O  pior estava para  acontecer – do nada a vara de PESCAR!!! quase é arrancada de minhas mãos – não era um peixe ERA O PEIXE!!! a atenção dos passantes aumentou – a perseguição na areia da sereia negra e a briga do O PEIXE!

Toma de enrolar o molinete francês e a luta para manter a vara de PESCAR quase sendo arrancada de minhas mãos,cansado e assustado gritei – PORRA!!! ALVARO ME DÁ UMA MÃO,TÔ PREGANDO.” Um milagre!!! Alvaro,amazonense que era,o instinto da PESCA o tomou – largou a sereia negra e veio ao meu auxílio e como um bom bêbado SENHOR DA SITUAÇÃO – DEIXA COMIGO! e me tomou a vara de PESCAR!!!

Não sei que diabo Alvaro fez, o molinete francês com toda a bossa e tecnologia,literalmente foi prás PICAS! a linha toda enrolada e nada de recolher a linha e O PEIXE, a brigar.O  publico se dividia – na cena do Alvaro lutando bêbado mas resoluto,eu desesperado vendo o molinete FUFU e recolhendo a linha pela mão e do  Chico atrás do RABO da sereia,risos e torcidas.

Longe nas espumas e ondas um enorme vulto aparecia e afundava, UMA ARRAIA! UM TUBARÃO! eram os gritos e exclamações – Alvaro e eu passamos a ser o alvo das atenções – Dá-lhe garotos! Força!!! e aí já me sentia um herói de praia – cartaz, bons handicaps nas paqueras e principalmente o perdão do pai ao ver o que sobrou do seu molinete francês.

O PEIXE! já era visível e um O PEIXE bem estranho,não debatia mais e mudando de forma ao ser puxado pela areia(lembrando que era maré baixa) – fui ao se encontro era a hora! meu futuro em jogo! passo a passo e ouvindo ao longe – Cuidado garoto!!! cheguei perto da fera  e…. Não era ” O PEIXE” mas sim um imenso pano pesado de macumba ,cheio de desenhos bordados e a duvida, mostrar ou não mostrar – levantei o imenso pano,creio mais de  3 metros!!!

Na calçada e hoje calçadão – Risos,Gargalhadas e serei sincero APOIO TAMBÉM!

Com uma faca,cortei toda a linha embaraçada,respeitosamente lancei ao mar a valiosa oferenda e com a vara de Pescar! e o molinete totalmente FU – entre abraços,risos e solidariedade do publico voltei para casa  – Pô pai, se visse era O PEIXE!!!

A sereia? cá entre nós, nos dias seguintes passou a ter mais um perseguidor – EU!  – era estonteante a sereia neguinha e sestrosa – quem a pescou? infelizmente não fui eu  – mas belos sonhos me renderam.

Pedro Luiz

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