Petrobras responde matéria sobre alerta de desvio à diretoria atual

Jornal GGN – A Operação Lava Jato ganha uma nova personagem de peso após o  Valor Econômico revelar documentos que indicam que a atual diretoria da Petrobras foi avisada sobre irregularidades em contratos e licitações muito antes da investigação da Polícia Federal tonar-se pública.

Quem entregou os indícios que comprometem Graça Foster, presidente da estatal, e José Carlos Cosenza, substituto de Paulo Roberto Costa da Diretoria de Abastecimento, é a geóloga Venina Velosa da Fonsenca. Após anos denunciando internamente tudo que sabia, Venina, que era subordinada de Costa, foi  transferida para a Ásia e  está afastada da empresa desde novembro passado. Ela vai depor ao Ministério Público Federal de Curitiba.

Na reportagem do Valor, Venina conta que há anos vem alertando sobre aditivos de contratos firmados com as empresas envolvidas na Lava Jato que aumentaram em muito os gastos da Petrobras. Uma das obras criticadas por ela é a Refinaria de Abreu e Lima.

Em uma passagem, Venina cita Lula.

“As suspeitas da geóloga tiveram início em 2008, quando ela verificou que os contratos de pequenos serviços – chamados de ZPQES no jargão da estatal – atingiram R$ 133 milhões entre janeiro e 17 de novembro daquele ano. O valor ultrapassou em muito os R$ 39 milhões previstos para 2008 e a gerente procurou Costa para reclamar dos contratos que eram lançados em diferentes centros de custos, o que dificultava o rastreamento. Segundo ela, o então diretor de Abastecimento apontou o dedo para o retrato do presidente Lula e perguntou se ela queria “derrubar todo mundo”. Em seguida, Costa disse que a gerente deveria procurar o diretor de comunicação, Geovanne de Morais, que cuidava desses contratos”, publicou o Valor.

O jornal também registrou na edição impressa três mensagens de Venina à Graça Foster e Cosenza. Duas delas datam deste ano, quando a Operação Lava Jato já tinha espaço cativo na mídia. Outra é de 2011, e fala em caráter confidencial à Graça Foster sobre a possibilidade de levar todos os documentos que ela recolheu nos últimos anos às autoridades competentes. A reportagem está disponível aqui.

A Petrobras emitiu sobre as denúncias no Valor:

“A Petrobras esclarece que, em relação à matéria publicada no Valor Pro de 11/12/2014, sob o título ‘Diretoria da Petrobras foi informada de desvios de bilhões em contratos”, instaurou comissões internas em 2008 e 2009 para averiguar indícios de irregularidades em contratos e pagamentos efetuados pela gerência de Comunicação do Abastecimento. O ex-gerente da área [Paulo Roberto Costa] foi demitido por justa causa em 03 de abril de 2009, por desrespeito aos procedimentos de contratação da companhia. Porém, a demissão não foi efetivada naquela ocasião porque seu contrato de trabalho estava suspenso, em virtude de afastamento por licença médica, vindo a ocorrer em 2013. O resultado das análises foi encaminhado às autoridades competentes.”

“Em relação aos procedimentos na área de Bunker, após resultado do Grupo de Trabalho constituído em 2012, a Petrobras aprimorou os procedimentos de compra e venda com a implementação de controles e registros adicionais. Com base no relatório final, a Companhia adotou as providências administrativas e negociais cabíveis. A Petrobras possui uma área corporativa responsável pelo controle de movimentações e auditoria de perdas de óleo combustível, que não constatou nenhuma não conformidade no período de 2012 a 2014.
Como mencionado em comunicados anteriores, a Comissão Interna de Apuração constituída para avaliar os processos de contratações para as obras da RNEST concluiu as apurações e encaminhou o Relatório Final para os órgãos de controle e autoridades competentes. Assim, fica demonstrado que a Companhia apurou todas as informações enviadas pela empregada citada na matéria.”

Oposição pede afastamento de diretores

Na tarde desta sexta-feira (12), a oposição ao governo Dilma Rousseff (PT) pediu o afastamento imediato da presidente da Petrobras Graça Foster, após as revelações de que a dirigente foi informado sobre irregularidades na estatal  por uma gerente executiva.

O senador Álvaro Dias (PSDB) disse que “Se não há participação direta (no esquema), há o crime de omissão, de conivência e de cumplicidade”, e isso é o bastante para que Dilma remova Graça da direção da companhia. “Não há como tolerar essa passividade do governo com relação aos gestores da Petrobras”, afirmou, segundo informações da Isto É. O tucano Antonio Imbassahy disse que Dilma “vai se transformando numa presidente fraca, que não tomou medidas para conter os desmandos na Petrobras”, disse.

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