Solidariedade e Justiça!

Injustiça precisa ser corrigida SEMPRE!
Minha solidariedade à família do militar honesto,sério,íntegro e que
nunca fez parte de escória de torturadores,mandante e financiadores de
terroristas de Estado.
Me orgulho em tê-lo conhecido, ter convivido e ter sido adotado por
toda sua família como amigo e irmão dos seus
filhos:Claudia,Alvaro,Luiz Antonio e Marco Antonio.
Herói da FEB,respeitado por sua capacidade de comando na frente das
batalhas, respeitado por onde comandou por atitudes sempre justas e
corretas.
O golpe de 64 – vitimou por volta de 1.400 oficiais legalistas das 3
forças armadas, o General Antonio da Silva Campos, na ATIVA,jamais
renegou ou julgou seus camaradas de fardas punidos – meu pai Maj
Brigadeiro Rui Moreira Lima foi um dos que conviveram com o Grande e
Decente Militar até o fim de sua vida.
Me lembro como garoto assustado na cruel ditadura de 64 – onde TODO
MILITAR ERA GORILA E TORTURADOR – aprendi que não era assim – em sua
casa sempre recebi carinho,amizade e calor humano – só posso retribuir
com solidariedade e amor que sempre recebi do General Antonio da
Silva Campos,mulher e sua família.
Certeza absoluta, a Comissão da Verdade, da qual apoio completamente,
restabelecerá a VERDADE e JUSTIÇA .a um OFICIAL DIGNO E HONRADO,como
o General de Divisão Antonio da Silva Campos.
Sem dúvida meu pai em solidariedade e amizade daria:
Um Adelphi seguido por um vibrante Senta a Pua,Brasil!!!
General Antonio da Silva Campos!!!
Pedro Luiz Moreira Lima

Prezados Senhores,

Com muita indignação e surpresa encontrei o nome de meu pai, Antonio da Silva Campos, entre os 377 incriminados em torturas, mortes, execuções e toda sorte de barbaridades em companhia de notórios violadores de direitos humanos. Ele nunca mereceu estar em estes

Ele foi, sim, chefe do CIEX entre 1976 e 1977, as datas não lembro. Vocês buscaram um nome e sequer se informaram sobre sua vida. Ele está morto.

Vocês sabem porque e em qual contexto assumiu este cargo? Presumo que não. Após a morte do jornalista Herzog, o então Presidente Geisel e o Ministro Frota, cujas péssimas relações todos conheciam, chamaram meu pai ao Planalto. Foi-lhe informado que haviam decidido que seria o novo Chefe do CIE porque não havia nenhum outro nome de concordância que lhes parecesse confiável para interromper, segundo eles, o “festival de horrores” que ocorria nos porões das prisões. Vocês sabem muito bem que nesse momento iniciou-se o lento processo de abertura política concretizado no período seguinte.

Meu pai ficou atônitoe a sua argumentação foi a de que não tinha o perfil apropriado para tal função, que sempre respeitou e respeitaria a Convenção de Genebra, como o fez na IIGGM, na qual serviu como voluntário para combater o fascismo. Não quis aceitar, disse que não era feito para o cargo, que tinha sido voluntário para uma guerra combater crimes como esses. Foi lhe dito que justamente por isto estava sendo convocado e que, como soldado, não poderia insubordinar-se. À época, toda a família e amigos suplicaram que passasse à reserva, que procurasse outro trabalho, se o salário e a idade não fossem compatíveis com uma aposentadoria tão precoce. Ele tinha 56 anos e não tinha bens de família, dinheiro, nada. A mesma razão que sempre o manteve no Exército, seu sustento, fez com que obedecesse e assumisse o cargo, talvez pelo único medo que teve na vida e sempre o perseguiu, pois conhecia bem: a pobreza, a incapacidade de criar seus filhos. A constatação que naquele momento não conseguiria trabalho salvo como testa de ferro, o que não suportaria nem sabia ser, e com o argumento de seus pares ao dizer que se ele não conseguisse refrear todo aquele horror, ninguém seria, foram determinantes.

Por não confiar em ninguém, passou a dormir em quartéis, emagreceu 10 quilos, entrou em profunda depressão e dizia “quem aceita tocar num fio de cabelo de um preso, ainda mais torturar, é um ser doente, a quem nenhuma ordem é capaz de conter”. Não é justo ser incluído no rol de mandantes de torturadores.

Meu pai teve origem muito pobre. Sua mãe era uma portuguesa imigrante analfabeta, empregada doméstica. O exército foi para ele o local onde, sem que pesasse sua origem humilde, pode mudar sua condição social. A princípio, a partir de meus 14 anos, ia a passeatas, até que ele me suplicou que não fosse, pois se sentiria impotente para descobrir onde eu poderia estar, em caso de desaparecimento. Mas ainda acreditava que o Exército não trataria com selvageria a presos. Não queria acreditar. Nesta época, 1968, ele era comandante de um regimento na Vila Militar e teve um preso político, cujo nome, infelizmente, não me lembro. Talvez ainda esteja vivo, em algum lugar, quem sabe se lembra. O menino, como se referia a ele, era seu assunto principal e grande preocupação, almoçava e conversava muito com ele e torcia para que fosse libertado, o que finalmente ocorreu. Passados uns meses o rapaz, desempregado, brigado com a família, pediu ao então Tenente- Coronel Antonio da Silva Campos que o deixasse dormir na cadeia. Meu pai explicou que não poderia, senão ele mesmo poderia ser incriminado por isto.

Talvez o maior erro de meu pai tenha sido aceitar aquele cargo no CIEX. Ele mesmo admitia que não poderia controlar todas as celas em todo o país. Que algum de vocês tente fazer isto hoje nos porões das polícias esperando que as atrocidades terminem como por milagre, apenas com ordens superiores. Mas parece que no seu período, segundo o relatório de vocês, isto realmente não ocorreu. Nem sei como.

Vejo então que seu nome aparece na lista de comando que levou ao desaparecimento de uma pessoa na Argentina . Chequem as datas, ele talvez ainda nem fosse Chefe do CIEX e ou teria acabado de assumir o cargo, pois o desparecimento de Sidney Fix Marques dos Santos ocorreu em 15 de fevereiro de 1976, mês em que, segundo o relatório da CNV, ele assumiu o cargo. Em outras 3 mortes igualmente seu nome é mencionado, como chefe do CIEX, no estouro de um aparelho em São Paulo, em cujo texto o relatório não menciona o CIEX, mas o Comando do  II Exército, o DEOPS e o DOI, além da Secretaria de Segurança de São Paulo. Não vou menosprezar tais mortes, mas não posso aceitar sua incriminação como o mandante de tal operação.

Contava uma história, entre tantas que contou, da guerra, em que na Batalha de Montese foi obrigado a matar um alemão, como num filme, onde o mais rápido foi ele. Se não, eu não teria nascido. Fez conforme as regras, que sempre obedeceu: retirou o cordão de identificação e olhou a carteira que seria enviada ao front inimigo. Havia a foto de uma mulher e de um bebê. Era a única coisa que às vezes trazia pesadelos para aquele homem tranquilo que dormia até em pé. Dizia que apenas naquele caso teve a certeza de ter matadoa alguém. Em meio a tiroteios ninguém sabe quem acertou ou foi acertado por quem.

Pena estarem mortos vários militares cassados, seus amigos, entre os quais o Brigadeiro Rui Moreira Lima, que o acompanhoucom sua amizade até o final de seus dias. Antonio da Silva Campos está morto. Não pode se defender agora, da mesma forma que os vilipendiados pela Ditadura Militar não puderam.

Não suporto Ditaduras, venham de direita ou de esquerda. Democracia é a única forma aceitável de governo. Meu pai arriscou sua vida por idealismo numa guerra (ele não havia sido convocado) para enfrentar ditaduras, e recebeu honrosas condecorações por isto. Arriscou-se a submeter-se a uma corte marcial, em que sua vida poderia ser posta em risco, antes de seu embarque para a Itália, por recusar-se a separar negros e brancos em seu pelotão, mantendo apenas brancos nos carros na parada militar prevista.

Continuou no Exército, apesar da Ditadura instaurada,uma grande contradição, mas ser apontado como violador de direitos humanos, isso não posso aceitar, nada tem a ver com sua história de vida.O desejo de reparação compreensível pelos parentes dos desaparecidos me parece justo, mas tenho também o meu de filha, de recusar-me a vê-lo no mesmo rol de torturadores notórios apenas por ter sido Chefe do CIE, sem que a Comissão da Verdade tenha observado o contexto em que ocorreu tal nomeação.  Parece-me desonesto e difamatório. Não é verdade.

A Comissão Nacional da Verdade se empenhou bastante, entretanto, como indignou-me severamente ver o nome de meu pai maculado pela lista divulgada, dei-me ao trabalho de ler todas as histórias de todas as vítimas e seus supostos algozes. Em inúmeros casos houve graves erros, atribuindo nas datas mencionadas a Presidência da República, Governos de Estado e outros a pessoas que não exerciam mais tais funções nas histórias reportadas, estando vários deles mortos no período.

Sugiro uma releitura criteriosa das afirmações que desta forma, incorretas, acabam por tornar pouco confiável trabalho tão extenso.

Quanto ao cidadão e General Antonio da Silva Campos, cujas datas de nascimento e morte não conseguiram encontrar, sugiro aos exímios pesquisadores informar-se, além disto, sobre sua vida, as cidades onde exerceu comandos após a saída do CIEX, muito comemorada pelos amigos e família, atuando nas regiões de Juiz de Fora e Fortaleza. Pena que também esteja morto Dom Aloysio Lorscheider, para lhes dizer o quanto admirou o empenho de meu pai ao colocar seus homens e tudo ao alcance de sua divisão para socorrer as vítimas da seca que assolou o NE no comandoda Região. Miliares não são apenas torturadores, eles servem, e deveriam sempre servir, no atendimento às populações mais carentes. Como seu empenho em criar uma escola numa região onde não havia nenhuma, o que acabou lhe valendo o nome do educandário. Não é difícil, basta procurar no Google. Pesquisas históricas servem para registrar as verdades, não conjecturas.

Claudia Maria Madureira de Pinho

A 3396-0 CAUBR

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