Linda mensagem amigo,concordo em tudo.

Reynaldo-BH

17/1/2015 às 18:45

Pena de Morte. A morte do Direito.
Matar alguém como atitude punitiva, em nome do Estado e protegido por este, sempre é a confissão da falência deste mesmo estado.
O ser humano é a razão da civilização e das regras sociais, políticas e jurídicas que os fazem ser uma coletividade.
Ao assumir a morte como pena, o Estado confessa que falhou na formação do cidadão. Que assume não ter sido capaz de suprir educação, valores morais ou éticos, que evitasse o descarte da vida de quem cometeu um crime.
Qualquer crime. A morte de um homem assassinado pelo estado é o assassinato do processo civilizatório.
Ou seja, para se aplicar a pena capital a um criminoso, pelo mesmo critério sócio-político que a justificaria, teria de se aplicá-la também aos representantes do poder público que também deixam de promover políticas e ações que garantam o direito à vida.
A Justiça não é feita para a vingança. Antes, para a reinserção de quem a agrediu. Mesmo o mais hediondo dos crimes não deveria ser punido com a sentença da pura e simples extinção da vida do criminoso.
Não se trata de argumentos – válidos – filosóficos ou religiosos. Antes, da garantia que ao nascer todo homem adquire. Não ser morto. E ter do estado, as condições para viver uma vida digna. E até mesmo ser tratado em nome dos Direitos Humanos.
É comum ouvirmos discursos que colocam os direitos humanos como óbice da vendeta social contra criminosos. Como se estes direitos jamais fossem respeitados pelos que não são criminosos. E pior, como se estes só existissem para proteção de criminosos.
Nada mais distante da realidade. Estes direitos universais me protegem a cada dia. A todos nós. E entre estes, aos criminosos. Que devem ser punidos, como retribuição social ao mal causado ou mesmo a uma nova oportunidade. Que na maioria dos casos, o estado falhou em ofertar.
Matar em nome do estado é se equiparar ao criminoso.
E não é a dureza da pena (com a morte) que inibe o crime: é a certeza da punição pelo ato cometido.
Tempo de pensar. Um traficante brasileiro de 53 anos – após dez anos de cadeia cumprida – foi fuzilado por 12 carrascos com tiros de fuzis.
Além da vingança, o que este ato deixa como exemplo social? Absolutamente nada.
Mas resta um minuto de silêncio.
Por alguém que pagou com a vida os erros cometidos. E que viveu uma morte indigna e cruel que nada auxiliará a evitar novos crimes.
“Para que uma pena produza o seu efeito, basta que o mal que ela mesma inflige exceda o bem que nasce do delito.” Cesare Beccaria

A morte oficializada por quem deveria ser o responsável pela VIDA, nunca será um bem. Que exceda qualquer crime.
O mundo, hoje, assinou mais um atestado de incapacidade, selvageria, incompetência e crueldade.
E um imenso passo atrás no que achamos ser a civilização.

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