25/02/2015

ANO DE 1987. EX-PRESIDENTE FIGUEIREDO FALOU SOBRE TRÁFICO E CONTRABANDO NA REDE GLOBO

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FIGUEIREDO FALOU DO TRÁFICO DE DROGAS E CONTRABANDO NA REDE GLOBO

17 de Janeiro de 2000 / Tribuna da Imprensa

A Rede Globo omitiu das declarações do ex-presidente brasileiro Figueiredo, gravadas em vídeo durante um churrasco em 1987, as partes mais contundentes referentes à Rede Globo.

Figueiredo fala da campanha que se moveu contra o então ministro da Justiça, Abi Ackel. A Polícia Federal (brasileira), comandada por Ackel, fez uma batida em contâiners da Globo para investigar o tráfico de drogas, mas descobriu um contrabando milionário de equipamentos para a emissora.

Como o material foi apreendido, o ministro começou a sofrer uma campanha difamatória das mais contundentes que já se viu na imprensa brasileira. Ibrahin Abi Ackel pode não ser uma vestal, mas foi destruído não por causa de seus erros, mas por meter o bedelho nos negócios escusos do Roberto Marinho.

Nos últimos anos toda a imprensa brasileira, liderada pela Rede Globo, iniciou uma grande campanha cujo objetivo é, supostamente, combater o uso de drogas, mas com a colocação deste assunto em evidência de forma tão contundente e permanente – sobretudo na televisão – é difícil saber se esta campanha está combatendo ou incentivando o tráfico e o consumo de drogas. Qual é a sua opinião?

No trecho da gravação em que Figueiredo fala do Roberto Marinho à Rede Globo, seguida pela quase totalidade da imprensa brasileira (imprensa esta que está nas mãos de um único grupo, constituído por poucas pessoas) limitou-se a reproduzir:

“É o dono da opinião pública no Brasil. Faz o ministro das Comunicações. Muda quem ele quiser. No dia em que ele quiser virar contra o governo, o governo cai. Ele brigou comigo porque não dei uma estação de rádio ou uma estação de televisão a ele. Não vou dar porque já tem demais. Vou criar três redes. Criei a Rede Manchete, criei o Sílvio Santos, criei a Bandeirantes”. (João Batista de Figueiredo, 1987)

A veiculação deste trecho das declarações não foi feita com o objetivo de criticar o dono da Globo, mas bajular o Roberto “todo poderoso ” Marinho e dizer aos brasileiros que até o Figueiredo sabia que o Marinho mandava neles (nos brasileiros).

O presidente das Organizações Globo negou, segundo o jornal “O Globo” e o programa “Fantástico”, da Rede Globo de Televisão, que tivesse pedido canal de televisão ou rádio a Figueiredo e também desmentiu que tivesse recebido dos governos militares concessões para operar emissoras, mas Roberto Marinho esqueceu de explicar como a Rede Globo de Televisão, fundada em 1965 – no ano seguinte ao golpe militar (orquestrado pelos norte-americanos) ocorrido no Brasil – pôde iniciar as suas transmissões se ele, Marinho, não ganhou a concessão dos ditadores brasileiros.

Vale lembrar que em 1965 as concessões para emissoras de televisão eram privilégio do presidente da república brasileiro,que só fornecia a amigos muito íntimos da ditadura. Ou será que a autorização para o funcionamento da TV do Roberto Marinho veio direito de Washington?

Figueiredo também criticou Leonel Brizola, citando duas supostas conversas sobre a reforma agrária. Brizola disse que esse diálogo não existiu e atribuiu as declarações do ex-presidente a suposto abuso do uísque ou do chope, durante o churrasco,mas segundo o “Fantástico”, Brizola declarou que “Figueiredo era muito brincalhão”.

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