Querida amiga Antonia e todos da Geração 68:
Tudo é surpresa para mim e a todos!
O CAN, Correio Aéreo Nacional, criado pelo Eduardo Gomes, foi
essencial na integração do Estado Brasileiro, apesar de ser piloto da
caça, meu pai fez diversas e muitas horas de vôo pelo CAN, coisa que o
orgulhava “fui um dos responsáveis pela integração do território
brasileiro.”
Não duvido o uso cretino,covarde e assassino de pilotos de transportes
utilizando o CAN para fins de crimes contra a humanidade.
O brigadeiro Eduardo Gomes tem uma história dúbia – foi o idealizador
,criador e incentivador do CAN, inspirado pelo serviço de correios
francês com o slogan – “em qualquer tempo , em qualquer terreno a
carta chegará!” Um livro famoso de Saint Exuperie – Terra dos Homens –
vale a pena ler,conta a odisséia nos Andes de um sobrevivente do
Serviço Francês – “O que fiz nenhum animal poderia fazer,apenas um
homem!”
Eduardo Gomes era severo e intransigente na sua criação, aberta um
nova rota aérea a missão tinha que ser cumprida.Muitos brasileiros
tomaram conhecimento do AVIÃO antes de qualquer automóvel ou caminhão.
Eduardo Gomes um dos responsáveis pela luta da soberania nacional
principalmente por sua atuação e autoridade na segunda guerra – sem
ela (autoridade e presença)teríamos perdidos as bases costeiras do
nordeste cedidas OPERACIONALMENTE aos americanos na segunda guerra –
OPERACIONALMENTE os americanos comandavam mas o COMANDANTE EM CHEFE
ERA EDUARDO GOMES , graças ao seu comando e autoridade os americanos
devolveram as bases com todas as benfeitorias,acredito que coisa
inédita na história da rapina americana.
Depois de Vargas,Eduardo Gomes,foi um desastre,GOLPISTA E LACERDENTO,
deixou a política partidária,o udenismo de Lacerda se instalar na FAB
– Jacareacanga,Aragarças,renuncia do Jânio e até 64 – tudo tinha os
dedos de Eduardo Gomes e sua área golpista de atuação – na Seção de
TRANSPORTE da Aeronáutica.
No golpe de 64 o brig Melo Maluco perseguiu seus companheiros
legalistas dando força aos Burniers da FAB,após veio o brigadeiro
Wanderlei,integrante do Primeiro Grupo de Caça com 10 missões de
guerra e um excelente historiador da história da aviação brasileira no
entanto fraco e sem comando, permitiu que a perseguição e repressão
dentro da FAB continuasse e pasmem! fez um decreto impedindo que todos
os oficias e subalternos atingidos pelos atos
“revolucionários”proibidos de exercerem quaisquer atividades
profissionais na área de aviação – nacional e internacional.
Após os dois veio Eduardo Gomes e a mesma política de perseguição e
repressão aos seus companheiros de fardas cassados,,mais um novo
decreto, a proibição de profissionais da aviação civil atingidos por
atos do golpes de também exercerem suas profissões.
No livro – Um Vôo para a história, Brig.Nero Moura – Fundação Getulio
Vargas – em entrevista para sua sobrinha Regina Moura dizia o Brig
Nero – “se acham que a ditadura Vargas foi violenta, não teria
paralelo caso Eduardo Gomes chegasse ao poder.”
Brigadeiro Nero Moura foi o comandante da Primeiro Grupo de Caça na
Itália,com 65 missões de guerra e Ministros da Aeronáutica com Getulio
eleito Presidente.
A FAB até hoje é dividida ( nem tanto) entre os “eduardistas” e os outros.
No final de sua vida, o Brig Eduardo Gomes, foi muito importante na
defesa dos heróicos componentes do PARASAR que se recusaram a seguir a
ordem criminosa de Burnier e cia.
Escreveu cartas denunciando o brig Burnier,apelos pela carreira ,
soltura do cap Sergio Macaco e companheiros e finalmente totalmente
ignorado pelo então Presidente(?!) Geisel. Morreu sem resposta e
ignorado totalmente pelos novos gorilas de plantão. No mesmo movimento
contra a barbárie estava também o honrado Marechal Cordeiro de
Farias,também ignorado pelos torturadores de plantão.
Um curiosidade: depois da queda por podridão do golpes,meu pai já Maj
Brigadeiro, foi eleito pelo Instituto Histórico da Aeronáutica(INCAER)
na cadeira do brig Nero Moura.
Foi feita uma eleição para decidir quem seria o Patrono da
Aeronáutica, vaga entre Eduardo Gomes e o Brigadeiro Casemiro
Montenegro um homem integro responsável pela criação da da Industria
Aeronáutica Brasileira e hoje Patrono da Industria Aeronáutica
Brasileira.
O voto do pai,para surpresa de todos, foi para Eduardo Gomes com a
seguinte justificativa: ” voto no homem criador do CAN e na manutenção
do território brasileiro e a manutenção da autoridade do Brasil nas
bases do nordeste, daí a razão do meu voto.
Sua atuação como homem político, que sempre rejeitei, fica para a
história julgar.”
O CAN não pode e não deve ser julgado por atuações torpes de monstros
e tarados uniformizados.
Vamos ao Parasar – uma unidade de elite de resgate e salvamento em
qualquer parte, inclusive no mar e qualquer canto do território
brasileiro.
A idéia e execução do PARASAR foi do então Tenente Sergio
Macaco,oficial de infantaria da FAB. A FAB não possuía nenhuma unidade
de Resgate e Salvamento,procurou meu pai em 1962/63 pediu sua ajuda
para marcar uma reunião com alta cúpula da FAB, pedido conseguido
sucesso em sua explanação e por fim a ordem da criação da unidade.
Foram centenas de missões e em todas sucesso total. Em relação aos
índios ,a unidade, era adorada e já como capitão, Sergio Macaco ,era
quase um deus para os índios e amigo pessoal de Orlando Villas Boas.
O Parasar operava com a ajuda da seção de transporte, desde sua
criação nas mãos de Eduardo Gomes, não possuía pilotos e nem
aviões,seus componentes eram da infantaria da FAB e soldados de elite
– podendo ser comparado com as unidades tipo SEALS e cia, com um
porém, para missões de resgate e salvamento.
A missão de caça e bombardeio são exercidas por pilotos de combate e
aviões de combate ou adaptados- não era o caso do PARASAR –
totalmente inadaptada e sem os meios de exercer a tal tipo de missão
bombardeio.

Os membros do PARASAR devido ao seu treinamento podem e até devem ser
usados em caso de confronto externo,tanto para missões de resgate e
salvamento, como também de combate.
Já muito doente de um terrível e injusto câncer do intestino, um mês
depois viria a falecer, Sergio convidou meu pai,Apolônio de Carvalho e
Kardec Lemme, três ex combatentes da segunda guerra, à sua casa no
Recreio dos Bandeirantes , lógico que entrei no grupo como penetra,
testemunhando 4 ou 5 histórias fantásticas narradas pelo então cel
Sergio Macaco( cel pela lei da anistia da ditadura de 1979)
relembrando, o STF, promoveu Sergio Macaco a Brigadeiro do Ar ainda
vivo. Infelizmente o então Presidente Itamar Franco pressionado pelo
gorilas da aeronáutica e ainda remanescentes do burnierismo, não
assinou a promoção só o fazendo após a morte do Sergio uma semana
depois.
Itamar Franco depois confessava em publico sua fraqueza,falta de
comando e autoridade de com profunda mágoa e tristeza da sua falha
imperdoável.
Vamos a história do Sergio, as outras, serão contadas pela professora
Maria Manuela no seu livro e pós doutorado do Capitão Brigadeiro
Sergio Macaco , o Capitão que disse Não! ( o posto de capitão
brigadeiro não existe foi uma criação justa do nosso Ziraldo).
“Você três são heróis e combatentes na segunda guerra(pai,Apolônio e
Kardec Lemme) combateram o bom combate e mataram gente,não sou anjo
como pensam,já matei também…”
Com essa declaração a atenção que era total virou surpresa,continuando.
“Estávamos numa missão em apoio a FUNAI,aos índios e a pedido do nosso
Orlando Villas Boas,cumprida a missão fui brincar num igarapé com 5
meninos índios , tomávamos banho e aquela zoeira, quando estava ali me
transformava em criança também.Senti um tremor e fui projetado
longe,ao acordar fui saber do acontecido,5 homens a serviço de uma,
multinacional ou latifundiário, com objetivo de obter as terras dos
índios,lançou uma ou duas bananas de dinamite, o resultado trágico, 4
crianças mortas e uma ferida gravemente, tinha perdido umas das pernas.
“Quanto a mim (nos mostrou o braço, uma cicatriz enorme do começo do
ombro até o pulso, por pouco perdia o braço), me costuraram e o DOC,
apelido do médico do PARASAR e ainda vivo pode testemunhar o relato.
” Enquanto DOC me remendava contou o acontecido,5 homens e duas ou
três balsas surgiram,jogaram as bananas de dinamite e fugiram rio
abaixo. Pedi um avião(tipo teco teco) coloquei meu paraquedas,armado
de uma FAL (fuzil de assalto) e duas granadas de mãos.
O DOC se apresentou para ir e dei-lhe ordens exclusiva de socorrer os
feridos, a ação seria a minha e apenas minha.
Sabíamos que o rio alguns quilômetros tinha uma queda d´água(algo
assim) e os caras teriam que retirar as balsas, ir para terra e
novamente entrarem no rio.
Do alto localizamos as balsa e mais adiante a queda d´água,saltei de
paraquedas me preparando para a campana mais adiante. Até chegar ao
local, devido ao ferimento,acredito que desmaiei 2 vezes.
Preparei a FAL e as granadas, chegaram os 5 , fizeram o que tinham de
fazer, saltaram das balsas e neste momento lancei as granadas –
resultado da ação – 4 mortos e um ferido gravemente e sofrendo bastante.
Nada podia fazer para socorrer o criminoso e assim como um bom
cristão,rezei 3 Padres Nossos e 3 Ave Marias descarregando a FAL
sobre o FILHA DA PUTA!!!algumas horas depois os índios fizeram o resto
– desapareceram com os filhos da puta.Viu gente, não sei se agi certo
mas virei matador também!!
Pai,Apolônio e o Kardec Lemme incontinenti apoiaram a ação dizendo –
“Sergio estávamos numa guerra em território estrangeiro numa guerra em
que fomos atacado, você fez uma guerra na defesa tanto do território
brasileiro como da população brasileira e indígena,você agiu com
bravura agiu como um verdadeiro soldado. Quanto aos FILHOS DA PUTA
que outro destino dar? um fim mais que justo merecido e ainda com 3
Padres Nossos e 3 Aves Maria” aí já em tom de blague.
Querida Antonia, o bombardeamento dos guerrilheiros do Araguaia, dos
índios e finalmente jogar corpos no mar – certeza absoluta – ações
nunca cometidas pelo PARASAR – tais atos jamais seriam cometidos pela
unidade – ali não existiam criminosos, quanto a MORTE FOI DADO UM NÃO,
VIGOROSO E DECIDIDO, PELO SEMPRE PRESENTE SERGIO MACACO!!!
Beijos e abraços a todos da Geração 68
Pedro Luiz
PS – caso desejam enviar corrigir os possíveis erros de português,não
fiz a revisão.

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